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Alguns pontos relevantes de uma entrevista da Marina Silva, juro q n consegui entender a posição dela sobre o aborto

MC A senhora se considera feminista?
MS Defendo os valores do feminino e entendo que isso é uma contribuição civilizatória, não uma contraposição ao masculino. Pensando sobre o machismo, não encontro uma situação em que tenha sido agredida por ser mulher. A não ser quando olho para o processo eleitoral de 2014, quando fui alvo de mentiras para diluir minha identidade e transformada em uma pessoa de elite, totalmente insensível ao sofrimento das pessoas em extrema pobreza. Será que isso seria feito da mesma forma e com a mesma intensidade se eu fosse homem? Até minha compleição física foi usada, por eu ser magra. Mas ainda é uma pergunta.

MC O impeachment de Dilma Rousseff teve um componente misógino?
MS Alguns levantam isso, no entanto nós tivemos um impeachment feito contra um homem, também fruto de grandes mobilizações. Ter um impeach­ment contra uma mulher em situação de grandes mobilizações cria um espaço de equidade.

MC Sua formação política se deu pela teoria marxista. Chegou a questionar a própria fé?
MS Quando entrei em contato com o marxismo-leninismo na universidade, sim, problematizei minha fé. Olhando para tudo aquilo, agradeço profundamente a Deus porque mesmo as obras que não têm cunho religioso acabaram fortalecendo minha fé. Depois desse “encontro de contas” com o marxismo-leninismo e com a psicanálise, que é de uma influência muito grande, saí dos dogmas, das caixinhas fechadas, da dualidade opositiva para olhar melhor para a complexidade e verificar paradoxos. Por exemplo, não consigo deixar de perceber lampejos do amor e do brilho de Deus na filosofia de Hannah Arendt. Quando ela fala sobre o poder do irreversível e do imprevisível na condição humana é algo que me emociona, filosófica, intelectual, mas também espiritualmente.

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MC Falando agora sobre política e a reforma da Previdência, a senhora costuma dizer que é contra a proposta apresentada pelo presidente Michel Temer porque ele não foi eleito e, logo, não tem representatividade. Por outro lado, orientou os parlamentares da Rede a apoiar o impeachment de Dilma Rousseff. Isso não é uma contradição?
MS Quando digo que não tem legitimidade é porque ele não debateu isso com a sociedade. Nem ele, nem a Dilma. Não vamos nos esquecer, eles são uma unidade. Ninguém elege vice-presidente. O impeachment não foi golpe. Foi feito com base na lei de crime de responsabilidade. Existem aqueles que advogam, dentro da própria Rede, que não deveria haver o impeachment. Isso foi inteiramente acolhido e trabalhado. Dois parlamentares votaram a favor, dois contra e eu firmei meu convencimento favorável.

MC Um ponto sensível, que sempre é abordado em tempos de eleição, é a legalização do aborto. Hoje, uma mulher morre a cada dois dias no Brasil em decorrência de um procedimento malfeito. Como vê isso?
MS Sou contra o aborto por uma convicção filosófica e de fé, e a mulher que o pratica com certeza sofre marcas no corpo e na alma. Não é algo que devemos desejar para ninguém, mas, infelizmente, o que temos é uma prática feita com prejuízos para a vida da mulher. Desde 2010, defendo que se faça um debate sobre essa questão.

MC Um plebiscito?
MS Sim, mas é preciso haver um debate mesmo, não uma satanização de ambos os lados. Sou contra o aborto, mas não advogo que uma mulher que pratique aborto deva ser presa. Pelo contrário. Deve ser acolhida porque já está vivendo as dores e as marcas de um recurso extremo. Devemos ter um debate no âmbito da saúde pública.

MC Então é a favor da descriminalização?
MS A criminalização, como vem sendo feita, não ajuda a diminuir o número de abortos. Sou a favor de um debate que nos leve ao resultado que queremos: que as mulheres não precisem abortar.