Resumo de tecnologia: o WhatsApp pode conter notícias falsas nas eleições de 2020?

Você lê O relatório brasileiro semanal tech round-up, um resumo das principais notícias de tecnologia e inovação do Brasil. Os tópicos desta semana: os esforços do Brasil para conter a desinformação do WhatsApp antes das eleições, o desempenho do comércio eletrônico com a Black Friday no horizonte e o terrível cenário de cibersegurança para empresas e indivíduos na América Latina.

Tribunais eleitorais e WhatsApp competem contra falsas mensagens. será que vai dar certo?

Um mês e meio antes das eleições locais de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral brasileiro, em colaboração com o WhatsApp, lançou um novo bot para melhorar o acesso a informações confiáveis ​​sobre medidas de higiene e regras eleitorais. Embora os especialistas reconheçam as boas intenções da iniciativa, eles dizem que o combate à desinformação requer estratégias mais amplas.

Como funciona o bot. Os usuários precisam adicionar um número fornecido pelo sistema de justiça eleitoral à sua lista de contatos para interagir com o bot. Em seguida, recebem mensagens com informações sobre a mesa de voto, as medidas de segurança a serem observadas no momento da votação e fatos sobre as eleições.

  • Haverá também um canal dedicado à denúncia de números que enviam mensagens em massa durante a campanha eleitoral – o que é proibido pela legislação eleitoral local. No entanto, esse recurso ficará desativado até 19 de dezembro.

Um passo na direção certa. Débora Albu, coordenadora de democracia e tecnologia do think tank ITS Rio, conta-nos O relatório brasileiro A estruturação de uma estratégia de mensagens anti-falsas em torno do WhatsApp, que é usada por quase todos os smartphones brasileiros, é “muito positiva”.

  • “Os eleitores não precisam deixar a plataforma que já usam. Não precisam criar novas habilidades digitais.” O processo é muito simples e isso é crucial. “
  • Além disso, a parceria com o Facebook, dono do WhatsApp, indica uma parceria entre o setor público e privado que pode vir a calhar nas eleições. “Ao contrário de 2018, agora estamos tentando reunir soluções e novas iniciativas para que você tenha uma frente unificada”, disse ela.

Sim mas … A Sra. Albu adverte que a única maneira de lidar com um problema tão complexo é por meio de uma estratégia mais ampla que inclui educação política e de mídia – algo que um simples bot do WhatsApp não consegue lidar.

Regulamento. Anunciado anteriormente como um dos pontos altos da resposta à desinformação do Congresso, o polêmico “projeto de lei de notícias falsas” está longe de ser aprovado.

  • O projeto foi fortemente criticado por especialistas por ter criado a possibilidade de censura disfarçada de medida contra a desinformação.

Campanhas digitais. As campanhas oficiais começaram em 26 de setembro, mas os candidatos a prefeito lançaram suas estratégias online semanas ou meses atrás no Facebook, Twitter e WhatsApp.

  • Depois que Jair Bolsonaro ganhou a presidência em 2018 com uma campanha conduzida quase que inteiramente nas redes sociais e chats de grupo do WhatsApp, os políticos ficaram obcecados com sua presença online. Mas os seguidores não necessariamente se traduzem em votos – e os candidatos mais engajados nas redes sociais não são os que fazem as melhores pesquisas.
  • “Isso porque o engajamento não vem apenas de apoiadores, mas também de pessoas que querem confrontar candidatos.”

O e-commerce brasileiro está perdendo força?

Depois de bater recordes no início deste ano, o comércio eletrônico brasileiro encolheu 9 por cento em agosto, de acordo com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Embora as vendas tenham gerado 75% mais dinheiro do que em agosto de 2019, o crescimento em maio foi de 136% em comparação com o ano anterior.

Por que isso importa. Grandes varejistas investiram milhões para melhorar seus canais de vendas online, mas as vendas de comércio eletrônico estão caindo à medida que as lojas físicas reabrem.

Mercados capitais. Todos os quatro maiores varejistas do Brasil viram os preços das ações caírem até 21 por cento em setembro.

  • Eduardo Guimarães, analista de ações da Levante Investimentos, destaca que o setor teve ganhos expressivos ao longo do ano. Quando Nasdaq e Ibovespa perderam fôlego em setembro, os investidores viram uma oportunidade de realizar lucros.
  • No Brasil, pontos de venda como a Via Varejo se tornaram favoritos entre os investidores de varejo, possivelmente causando um boom temporário no volume de negócios. “O frenesi diminuiu um pouco”, diz Guimarães.
  • Os investidores institucionais contam com o e-commerce. O Banco BTG Pactual substituiu a tradicional varejista Lojas Americanas pela revista Luiza em seu portfólio mensal de recomendações. Este último está “bem posicionado para continuar crescendo acima do mercado”.

Desafios. Enquanto os varejistas se preparam para a Black Friday, a Amazon Inc realizará seu primeiro Prime Day no Brasil de 13 a 14 de outubro. Não só é um substituto para a maior maratona de compras do ano, mas também pode causar problemas de concorrência.

Sim mas… Não é a primeira vez que o mercado salta da arma em resposta aos movimentos da Amazon. Quando a gigante americana anunciou que estava se expandindo para o Brasil, os estoques de varejistas domésticos derreteram, mas a Amazon tem sido muito cautelosa com o mercado brasileiro desde então.

Temporada de férias. O quarto trimestre é tradicionalmente a melhor época do ano para os varejistas. “No entanto, as vendas podem ser afetadas por vendas fracas de tijolo e argamassa”, diz Guimarães O relatório brasileiro.


Empresas brasileiras sob ataque de cibercriminosos

Um novo relatório da empresa de segurança cibernética Kaspersky mostra que, no Brasil, 56% de todos os ataques cibernéticos ocorrem na América Latina. De janeiro a setembro, a Kaspersky registrou 37,2 milhões de ataques a empresas no continente e outros 20,5 milhões a usuários privados.

Trabalho em casa. O Remote Desktop Protocol (RDP), que permite aos usuários se conectar a outros computadores, foi atacado 517 milhões de vezes na região. O pico ocorreu em abril e coincidiu com o início de várias quarentenas na América Latina.

  • “A introdução do trabalho remoto tornou mais fácil para os cibercriminosos atacarem sistemas que não estavam disponíveis na Internet”, disse Dmitry Bestuzhev, chefe da equipe GReAT da Kaspersky na América Latina.

Vulnerabilidade. O Brasil é o lugar mais visado, mas não o mais inseguro. De acordo com o relatório, a Argentina tem o maior “coeficiente de ataque” – a porcentagem de ataques per capita – tanto para empresas quanto para usuários privados.

  • No entanto, os brasileiros são os mais vulneráveis ​​a ataques em dispositivos móveis. O país registrou 63 por cento dos 1,2 milhão de ataques relatados durante o período do relatório.

Observe algo

  • LGPD. A construtora Cyrela foi a primeira empresa a ser autuada pela Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil. A empresa foi considerada culpada depois que um cliente a processou por spam com e-mail de parceiros da Cyrela. Esta é a prova de que o proprietário do edifício transmitiu seus dados sem consentimento. A Cyrela agora é obrigada a pagar uma indenização de R $ 10.000 e uma indenização adicional de R $ 300 por qualquer tentativa indevida de contato com o cliente.
  • SMB. Um novo relatório da consultoria Neotrust / Compre & Confie mostra que as vendas online de pequenas e médias empresas no Brasil quase dobraram entre fevereiro e agosto, aumentando as vendas em 118%. O segmento líder foi o de eletrodomésticos com crescimento de quase 400 por cento, seguido de mobiliário (+ 241%), decoração (+ 217%), saúde (+ 212%) e câmaras e drones (+ 205%).
  • Aquisição. A Bitz, carteira digital lançada pelo Bradesco há algumas semanas, já fez sua primeira aquisição: a compra da Fintech DinDin por valor não divulgado. O negócio acontece enquanto a Bitz busca adquirir expertise para atingir sua meta de ganhar 25% do mercado de carteiras digitais no Brasil nos próximos três anos.
  • Iniciantes. O Google lançou sua iniciativa Growth Academy no Brasil. O programa de dez semanas oferece orientação e técnicas de crescimento para executivos de startups que já têm alguma tração no mercado. A primeira edição será totalmente digital devido à Covid-19 e incluirá empresas como a loja de alimentos naturais LivUp, a marca de cosméticos Sallve e a pet shop Zee Dog.
  • Ecossistema digital. Dados do Think-Thank Distrito, obtidos do jornal O Estado de S. Paulo, mostram que grandes empresas compraram 100 startups no Brasil entre janeiro e setembro – o maior número já registrado. A tendência é impulsionada pelas necessidades de transformação digital, pela necessidade de abertura de novas áreas de negócios e pela disponibilidade de capital devido a um ambiente de baixas taxas de juros.
  • Unicórnio. A Fintech dLocal se tornou o primeiro unicórnio do Uruguai em setembro, avaliada em US $ 1,2 bilhão. Atingiu o marco após uma nova rodada de financiamento de $ 200 milhões liderada pela General Atlantic. A empresa oferece soluções de pagamento na Ásia, América Latina e África, com clientes de alto perfil como Amazon.com e Nike.
  • Financiamento colaborativo. A Comissão de Valores Mobiliários cancelou a licença de operação da plataforma de crowdfunding Finco Invest após diversas irregularidades, incluindo fraude, como investidores qualificados sem a devida certificação e sem procedimentos de due diligence.
  • Agritech. O grupo sucroalcooleiro São Martinho iniciou um teste piloto de 5G junto com a Ericsson em uma das plantações de cana-de-açúcar do grupo no estado de São Paulo. A nova rede permitirá que eles conectem caminhões e máquinas e acelere o processo de colheita a partir de 2021. Se der certo, a parceria se estenderá a outras plantações do grupo e a novos produtos e serviços que as duas empresas querem trazer ao mercado.
  • Drones. O aplicativo de remessa de supermercado iFood está testando drones para entrega de refeições na cidade de Campinas, no estado de São Paulo. Os restaurantes levam a comida para os centros onde os drones são armazenados. As máquinas voam para os centros de entrega e de lá os transportadores as levam aos consumidores. A iFood acredita que o processo pode reduzir o tempo de entrega de 10 para 2 minutos em algumas rotas. Os testes devem durar 12 meses. Se for bem-sucedido, o modelo pode ser usado em outras 200 cidades.