Quando a Vida Humana vale menos que a Torcida

Olá, pessoal do Recreio… Eu queria contar pra vocês uma experiência que tive algum tempo atrás.

Tudo começou em mais uma típica manhã. Eu acordei, e me preparei para tomar o café. Resolvi ligar a TV e colocar em um daqueles telejornais matinais (Não lembro se foi na Record ou na Band). Foi quando me deparei com a notícia de que após um jogo de futebol no dia anterior, duas torcidas saíram em confronto, que resultou em um torcedor indo parar no hospital com sérios ferimentos.

Por incrível que pareça, essa notícia não me surpreendeu nem um pouco. Hoje em dia, brigas de torcidas que resultam em acidentes, e até mesmo mortes são cada vez mais comuns. Em estádios de futebol, os policiais tem que ficar sempre atentos porque a qualquer momento, o que pode começar como uma gozação entre as torcidas pode acabar em uma terrível tragédia, muitas vezes envolvendo pais de família e até mesmo crianças.

O que me assusta, no entanto, é o quão longe o ser humano consegue ir para defender sua torcida. Amizades são perdidas, ofensas são disparadas por todo lado, e até mesmo vidas são tiradas. O caso mais comum é o futebol, a grande paixão do brasileiro, mas a verdade é que várias “preferências” do ser humano podem criar uma torcida e consequentemente um fanatismo. Futebol, grupos musicais, emissoras de TV, etc.

Quando a Vida Humana vale menos que a TorcidaQuando a Vida Humana vale menos que a Torcida

Em relação ao futebol, um dos casos que me causou maior revolta foi na Copa do Mundo de 2014. A grande “estrela” da nossa seleção era o Neymar. Até que na disputa contra a Colômbia, ele acabou sofrendo uma fratura nas costas causada por um choque com o jogador colombiano Juan Camilo Zúñiga. Isso fez com que ele ficasse de fora dos jogos seguintes, e todo mundo sabe que o Brasil acabou levando uma surra da Alemanha naquele ano. Eu confesso que eu tava pouco me importando se o Brasil ia ganhar ou perder aquela Copa.

No entanto, algum tempo depois, o Zúñiga postou na internet uma foto de sua pequena filha, dedicando o amor ao pai. Eu não vou postar essa imagem porque acho que não precisamos sujar o site com esse conteúdo, quem quiser ver é só pesquisar no Google. Mas enfim, nessa postagem, os “fãs” do Neymar e da seleção brasileira resolveram se manifestar xingando a menina de vários palavrões, e um dos comentários foi o que mais me chocou: Um certo torcedor resolveu escrever: “Vou estuprar e quebrar as costas dessa menina”. Lindo, não?

Alguns podem pensar: “Mas, Alexandre, eles só falam essas coisas porque estão por trás do computador. Ninguém ia fazer isso com a menina.” Pessoal, eu não me importo onde a pessoa está, ela não tem direito nenhum de falar isso. Imagina como fica um pai ao ler uma coisa desse tipo. Se o Neymar seria a salvação do Brasil naquela Copa, nós não sabemos, embora eu desconfie que não. Mas a paixão pela seleção, ou por um jogador de futebol, não justifica atitudes como essa. Aliás, eu acho que nada justificaria ameaçar estuprar a filha de alguém.

Bem, deixando tudo isso de lado, eu gostaria de tocar em outro tipo de torcida agora… A torcida por emissoras de TV. Pensam que eu esqueci? Nada disso.

Eu já disse várias vezes aqui no Recreio que antes de conhecer certos sites sobre TV, eu nem sabia que era possível alguém torcer por uma emissora ao ponto de se recusar a assistir qualquer coisa que esteja em outro canal. No meu ponto de vista, qualquer um assistiria um filme ou uma série independente do canal onde fosse exibida, mas parece que não é bem assim pra algumas pessoas.

Em relação às emissoras de TV, acho que a situação é mais leve do que acontece em times de futebol, porque a grande parte dos ataques acontece nas redes sociais e sites sobre televisão. Geralmente envolve gozação com a emissora rival, gifs para reforçar os ataques, e o máximo que pode acontecer é uma amizade virtual se acabar. Como não existe um “Estádio do SBT” e um “Estádio da Record” pra torcida se reunir, os confrontos físicos, pelo menos até onde eu sei, são inexistentes.

No entanto, isso não cancela o fato de que os fãs de alguma emissora parecem sentir prazer em humilhar os fãs das emissoras rivais. Isso acontece todo santo dia, principalmente quando algum site posta os consolidados de audiência. Eu geralmente não comento muito por lá, mas isso não quer dizer que eu não leio o que o pessoal fica comentando. É uma briga que parece nunca ter um vencedor, porque ambos os lados sempre encontram uma brecha pra atacar o outro. E não demora muito para que isso se torne uma agressão direta, com fãs trocando ofensas pessoais e deixando até mesmo as emissoras de lado.

Enfim, o ser humano tem a tendência de defender o seu time, a sua torcida, até o fim. Prova disso são as brigas de estádios que se tornaram tão comuns que não surpreendem mais ninguém. O que começa com uma gozação, pode resultar em um confronto mais sério, que pode acabar em uma tragédia capaz até de retirar a vida de alguém. Infelizmente, eu não vejo uma forma de impedir que isso aconteça. Algumas pessoas se tornam cegas para o mundo real e passam a enxergar apenas o seu “time”.

Detalhe que como eu disse antes nesse texto, isso vale para todo tipo de mídia que acaba criando um “fã clube” ou uma “torcida”. De perda de amizades até a morte de alguém, o fanatismo pode ter consequências inesperadas.

Enquanto isso, continuamos ligando a TV e vendo pelo que as pessoas estão sacrificando suas vidas.

Crítica enviada pelo leitor Alexandre.

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