Qual o limite de um sonho?

Os sonhos movem a vida do ser humano e é o primeiro passo para realizações futuras, sonhar faz parte da nossa essência abrindo caminho para criar e almejar novos objetivos, somos sonhadores por natureza. Hoje voar pelo céu não é algo incomum, já conseguimos até chegar a lua, contudo para que isto fosse concretizado, alguém sonhou.

Será que existe limite para os sonhos?

Voar, voar, subir, subir…♪♫♪

Qual o limite de um sonho?
Qual o limite de um sonho?

Dedálo e seu filho Ícaro, um mito conhecido nos traz inúmeras reflexões e lições de vida sobre o tema.

Na mitologia grega, Ícaro era filho de uma escrava de Minos, Náucrate e Dédalo descende do próprio Zeus, era filho de Alcipe, que era filha de Ares, que por sua vez era filho de Zeus e Hera, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas, conhecido por suas invenções e pela perfeição de seus trabalhos manuais, simbolizando a engenhosidade humana.

Muito requisitado, Dedálo já não conseguia atender a grande demanda de encomendas, assim decidiu contratar seu sobrinho Talo como ajudante e aprendiz. Com o passar do tempo, seu sobrinho não apenas aprendeu o ofício como era criativo criando muitas invenções, o que acabou despertando a inveja de seu tio.

Dedálo não conseguiu vencer sua inveja e matou seu sobrinho, foi julgado e condenado pelo crime, mas conseguiu fugir para Creta onde já tinha chegado a sua fama de artesão, escultor, inventor e engenheiro. Quando Minos, rei de Creta, soube da presença do artista, recebeu-o com honras de Estado e o colocou sob sua proteção mas exigiu que ele trabalhasse somente para ele. Dédalo passou a criar muitas obras e estátuas para Minos, mas perdeu sua liberdade criadora. Suas criações ficaram restritas aos desejos do monarca e sua arte se tornou prisioneira dos caprichos do Rei Minos.

Após o nascimento do Minotauro, fruto dos amores entre a rainha Pasífae e um touro divino, Dédalo foi incumbido de construir um labirinto Um de seus maiores feitos, no qual encerrou o monstro metade homem e metade touro. Tempos depois, o Minotauro foi morto por Teseu.

Por ter ajudado Ariadne, a filha de Minos a fugir com Teseu, Dédalo provocou a ira do rei que, como punição, ordenou que Dédalo e seu filho fossem jogados no labirinto que ele mesmo havia construído.

Dédalo sabia que a sua prisão era intransponível, e que Minos controlava mar e terra, sendo impossível escapar por estes meios. “Minos controla a terra e o mar”, disse Dédalo, “mas não o ar. Tentarei este meio”.

Dédalo projetou asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos, de forma que estas asas se tornassem perfeitas como as das aves.

Estando o trabalho pronto, o artista, agitando suas asas, se viu suspenso no ar. Equipou Ícaro e o ensinou a voar. Então, antes do vôo final, advertiu seu filho de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próximo do sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, que o mar pudesse molhá-las.

Eles primeiramente se sentiram como deuses que haviam dominado o elemento ar. Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção, esquecendo-se das orientações de seu pai. A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo Ícaro caiu no mar Egeu.

Quando Dédalo percebeu que seu filho não o acompanhava mais, gritou: “Ícaro, Ícaro, onde você está?”.

Logo depois, viu as penas das asas flutuando no mar Egeu. Lamentando suas próprias habilidades, chegou seguro à Sicília, onde enterrou o corpo e chamou o local de Icaria em memória de seu filho.

Quais reflexões e lições podemos tirar deste mito?

A inveja e o egoísmo cegam a ponto da pessoa destruir aos outros e a si mesma.

Dedálo se deixou dominar por sentimentos pequenos ao tirar a vida promissora de seu sobrinho apenas por mais fama e egocentrismo, e com isto acabou atraindo um futuro negro e incerto para seu destino. Mesmo conseguindo fugir da justiça, não conseguiu fugir das consequências de seus atos, não perdeu a liberdade física, mas perdeu a liberdade de criar de acordo com seu pensamento e anseios em uma prisão interna vivendo paixões alheias e construindo sonhos que não eram seus.

Dedálo foi prisioneiro de suas próprias habilidades.

Com certeza ao criar o Labirinto, Dedálo nunca imaginou que um dia seria aprisionado ali. Assim como ele, muitos usam seus talentos e habilidades para prejudicar outros e nunca imaginam que amanhã poderão estar na mesma situação ruim que colocaram outras pessoas.

Dedálo ao se envolver em um problema que não era seu, prejudicou a si mesmo e perdeu o que mais amava.

Interessante notar alguém que tirou a vida de um parente por coisas banais, agora se coloca em risco para ajudar o apaixonado casal, Teseu e Ariadne. Remorso, consciência?

Infelizmente ao tentar ajudar alguém, por mais que você tenha boas intenções, pode encontrar situações que prejudicaram sua vida. Nem todas as pessoas retribuem da mesma forma o tratamento recebido, usam de manipulações e mentiras para outros objetivos e quando menos se espera te apunhalam pelas costas deixando uma sensação ruim e estragos difíceis de serem reparados. Melhor pensar duas vezes antes de ajudar cegamente e se envolver em problemas de terceiros…

O que vem com muita facilidade, não é valorizado.

Dedálo com toda persistência, pensou, agiu e finalmente conseguiu criar as asas que eram a saída para sua prisão. Já imaginaram como foi juntar e colar pena a pena?

Feito o trabalho, presenteou seu filho Ícaro com um dos pares de asas e o aconselhou. Mas Ícaro não levou em conta os conselhos de seu pai, destruindo em pouco tempo aquilo que requereu estratégia, dedicação, trabalho e persistência. Quantos nos dias de hoje recebem uma herança, ou a sorte bate a porta e desperdiçam tudo por não terem se esforçado para adquirir?

Outros recebem o livre- arbítrio e até mesmo talentos excepcionais, mas não possuem habilidades para manejá-los, fazendo que seus excessos e falta de equilíbrio o lancem ao mar da destruição da sua felicidade e conquistas.

Ícaro, ficou cego e deslumbrado por um sonho e não enxergou os perigos e as consequências.

Não é errado sonhar, mas as vezes é necessário manter um pé na realidade para não se frustrar. Ícaro só enxergou o brilho do sol, esqueceu os conselhos de seu pai, as suas limitações, os perigos e foi voando cada vez mais alto, até que a queda foi inevitável…Assim também é a ambição desmedida sem levar em conta seus limites, cava sua própria ruína.

Há aqueles que pensam que é melhor destruir os limites em vez desistir dos sonhos, preferem morrer sonhando do que ver a morte de um sonho, como podemos julgar?

Só Ícaro poderia descrever o que sentiu chegando perto do sol, que naquele momento representava sua felicidade e sua mais importante conquista embora para os outros foi sua destruição.

“Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas são insuperáveis, as perdas são insuportáveis, as decepções transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Precisamos compreender que os sonhos não são desejos superficiais.
Os sonhos são bússolas do coração, são projetos de vida.
Os desejos não suportam o calor das dificuldades.
Os sonhos resistem às mais altas temperaturas dos problemas.
Renovam a esperança quando o mundo desaba sobre nós”.

Augusto Cury

S. R.

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