Plano de reforma do serviço público tímido do Brasil

Hoje estamos quebrando a reforma administrativa do Bolsonaro – e suas deficiências. A indústria brasileira está se recuperando ligeiramente. Embraer anuncia demissões. E o Brasil chega a 4 milhões de casos de coronavírus.

Detalhamento da proposta de reforma administrativa brasileira

No Daily Briefing de ontem, esperávamos que a reforma da administração proposta pelo governo fosse tudo menos ousada.

Em vez de um plano detalhado para revisar as regras do serviço público brasileiro, o governo apresentou princípios gerais – confiou em um Congresso muito sensível ao lobby dos funcionários para preencher as lacunas e decidir sobre os detalhes.

  • Além disso, foi impressionante ver que a reforma supostamente destinada a conter os gastos com salários e pensões não teria impacto sobre membros do Congresso, juízes, promotores ou militares Crème de la Crème do serviço público do Brasil.

O que mudará se a reforma for da seguinte forma:

  • A sólida estabilidade no emprego dos funcionários públicos seria drasticamente reduzida. Apenas as “carreiras típicas do estado” teriam direito a esse benefício, e somente após um período probatório de três anos. Hoje, apenas uma ordem judicial ou procedimento disciplinar estrito pode destituir um funcionário público de seu cargo. Desde 2003, pouco mais de 7.500 funcionários perderam seus empregos, principalmente devido ao envolvimento em corrupção.
  • A proposta também limita muitas das vantagens que os funcionários podem incluir em seus salários – o que se soma ao que o Departamento de Comércio chama de “super salários”.
  • O presidente teria poderes aumentados sobre a estrutura do governo e não precisaria da aprovação do Congresso para fazer mudanças que não aumentassem os gastos públicos. O chefe de estado teria permissão para excluir empregos, reorganizar as vagas e reorganizar as descrições dos cargos.

Sim mas … Para tornar a reforma mais palatável ao Congresso, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o atual quadro de funcionários não será afetado. Isso significa que a reforma não teria um impacto significativo nos gastos públicos por cerca de dez anos. Ao mesmo tempo, o governo afirma que deseja cortar gastos com pessoal e alterou um relatório que restringe a contratação de novos funcionários.

  • De qualquer forma, algumas áreas do governo precisam de mais funcionários, mas a falta de transparência e coordenação do governo sugere que a mão direita não sabe o que a esquerda está fazendo.

O tamanho do problema. De acordo com um Banco Mundial 2019 Segundo relatos, o Brasil gasta 15% de seu PIB com salários e pensões. Em alguns estados, representa quase 80% das vendas totais.


Indústria brasileira está melhorando, mas perdendo importância mundialmente

Pela terceira vez consecutiva, a produção industrial brasileira cresceu 8% em julho. Os dados sugerem uma melhoria generalizada, com 25 dos 26 segmentos examinados apresentando resultados positivos. Chamar isso de “recuperação” seria um exagero, no entanto, já que a produção permanece 6 por cento abaixo dos níveis de fevereiro, após cair 9,3 e 19,5 por cento em março e abril, respectivamente.

Por que isso importa. As comparações mais longas são negativas para a indústria brasileira, mas há uma grande vantagem: o setor iniciou uma recuperação (embora lenta e longa) à frente das empresas de serviços e ajudará o país a obter melhores resultados de PIB no terceiro trimestre.

Sim mas … A indústria brasileira perdeu importância para a produção global. Em 2019, era responsável por 1,24% da produção industrial global – taxa que caiu para 1,19% no ano passado. Hoje o Brasil é a 16ª maior indústria do mundo – atrás de países como México, Indonésia, Rússia, Taiwan, Turquia e Espanha.

  • De acordo com a Associação Nacional da Indústria, a participação do Brasil na produção industrial global diminuiu desde meados da década de 1990, um processo intensificado pela recessão de 2014-2016.

Embraer anuncia demissões massivas

A fabricante brasileira de jatos Embraer anunciou quinta-feira que vai cortar 2.500 empregos, 1.600 dos quais serão criados por meio de um programa de demissões voluntárias. A empresa afirma que a mudança é resultado direto da crise da aviação gerada pelo coronavírus e do fracasso de um acordo de fusão de US $ 4,2 bilhões com a Boeing, cuja conclusão também foi afetada pela pandemia.

Por que isso importa. No segundo trimestre de 2020, a Embraer apresentou o pior resultado financeiro em 20 anos, com prejuízo de R $ 1,6 bilhão. Nesse período, a empresa entregou apenas quatro aeronaves comerciais e 13 jatos executivos no segundo trimestre de 2019, ante 26 e 25, respectivamente.

Boeing. A empresa sediada em São José dos Campos gastou R $ 485 mil na integração com a Boeing – dinheiro perdido depois que a fabricante americana de aviões fechou e alegou que a Embraer não cumpriu os requisitos. O fabricante brasileiro nega essa reclamação e entrou com uma ação nos Estados Unidos para obter uma indenização.

Questões trabalhistas. Os sindicatos entraram em greve após dizer que a decisão foi inesperada e inadequada. As dispensas estão planejadas para a Embraer há anos. Em 2017, a consultoria McKinsey colocou em prática um plano de reestruturação para simplificar a estrutura do fabricante de aeronaves e obter melhores resultados financeiros. O plano foi apenas parcialmente seguido no início, mas agora deve ser retomado.

  • A Embraer foi a única grande fabricante de aeronaves que não anunciou grandes cortes. A Boeing e a Airbus, por exemplo, anunciaram que vão cortar cada uma mais de 15.000 empregos.

Gaslighting enquanto o Brasil atinge 4 milhões de infecções por coronavírus

O Brasil é apenas o segundo país a quebrar a marca de 4 milhões de casos confirmados de Covid-19. 124.614 pessoas já morreram da doença. Apenas os EUA têm números piores do que o Brasil – e ainda assim os dados dos testes no Brasil são baixos e imprecisos, o que levou a maioria dos cientistas a concluir que os totais reais são muito maiores.

  • Mesmo assim, o presidente Jair Bolsonaro deu tapinhas nas costas novamente, dizendo que sua resposta à pandemia foi “sem precedentes”. Ele mencionou o uso de hidroxicloroquina como evidência de seu sucesso no tratamento do coronavírus. No entanto, o medicamento contra a malária não tem efeito benéfico comprovado em pacientes com Covid-19.

Vá devagar. Os dados atuais sugerem que o spread pode diminuir. O Brasil demorou 25 dias para passar de 3 para 4 milhões de casos – dois dias a mais do que a transição de 2 para 3 milhões. Além disso, o número de mortes e infecções caiu ligeiramente em agosto. Enquanto os especialistas comemoram os números positivos, eles alertam que as curvas ainda são altas.

Derrota diplomática. O ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, não foi escolhido como um dos representantes latino-americanos na UE detecção na resposta da Organização Mundial da Saúde à pandemia. Em vez disso, Colômbia e México representarão a região.


O que mais você precisa saber hoje?

  • Rio. Depois que o Supremo Tribunal Federal confirmou a suspensão do governador Wilson Witzel, seu substituto, Cláudio Castro, pediu ao Ministério da Economia que ampliasse a ajuda estatal. O Rio ganhou mais seis meses durante os quais o governo analisará o pedido. Até então, deve-se esperar que Castro se curve para agradar o grupo político de Jair Bolsonaro no estado.
  • Economia. o Indicador de atividade econômica O think tank Fundação Getulio Vargas (IAE-FGV) – índice que visa antecipar a evolução da economia com base em dados oficiais – sugere que a economia brasileira cresceu 1,4% em julho. No trimestre encerrado em junho, o IAE-FGV mostra queda de 4,4% em relação aos três meses encerrados em abril. “Embora os números sejam muito negativos, eles mostram uma melhora em relação às mudanças vistas em junho”, disse o think tank em um comunicado.
  • Processo de impeachment. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcello Crivella, conseguiu evitar uma quarta tentativa de iniciar o processo de impeachment contra ele. Em uma votação apertada de 25 a 23, o conselho municipal votou contra a moção para proteger o trabalho do prefeito. Crivella é acusado de contratar funcionários para impedir que jornalistas exponham a crise de saúde da cidade. Esses trabalhadores, apelidados de “Guardiões de Crivella”, costumam assediar os cidadãos que optam por falar com os repórteres.

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O plano tímido do Brasil para reformar o serviço público no Brasil apareceu pela primeira vez no relatório brasileiro.