O Brasil deveria ter vergonha de sua pobreza, e não exaltá-la

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, além de não ter sido perturbada por terroristas, gangues criminosas ou um grande ataque de Zika infestado de mosquitos, foi mesmo razoavelmente divertida. A simbologia com que o Brasil decidiu apresentar-se ao mundo, no entanto, foi falha.

A noite de sexta-feira iniciou com uma representação em movimento da história do país, desde a chegada dos portugueses. Mas logo depois ficou claro que, para os organizadores, esta foi apenas uma introdução para o que seria considerado o momento mais importante do show: meninos de favela executando alguma versão do Terceiro Mundo de break dance e duo rapper – um deles com apenas doze anos de idade – falando sobre empoderamento feminino.

Isto não deveria ser visto como nenhuma surpresa. Um dos cérebros por trás da cerimônia foi Fernando Meirelles, o cineasta responsável pelo filme Cidade de Deus (2002), a joia da estética das favelas.

O intelectual do Rio é fascinado pela própria pobreza da cidade, como se as favelas fossem algo de que o Brasil devesse estar orgulhoso, ao invés de envergonhar-se. Imagine se os Jogos Olímpicos de Atenas tivessem destacado a corrupção da Grécia contemporânea em vez da mitologia do país, ou se Pequim tivesse decidido mostrar a poluição em seu ar, em vez da grandeza da China?

O Brasil deveria ter vergonha de sua pobreza, e não exaltá-la
O Brasil deveria ter vergonha de sua pobreza, e não exaltá-la

A pobreza não representa o Brasil. Com sorte, não teremos nem pobreza nem favelas no Brasil do futuro. Mas a partir de onde, então, que os marxistas culturais brasileiros tirarão suas mitologias? Assim como a violência contra os negros (reais ou imaginárias) é parte integrante da narrativa cultural para a esquerda nos Estados Unidos, a pobreza desempenha um papel semelhante para a esquerda no Brasil.

Não é por acaso que a cerimônia não fez referência nenhuma a qualquer coisa que possa ser visa como erudita ou de alguma forma ligada à tradição europeia (como por exemplo, a magnífica arquitetura de Aleijadinho, as óperas de Carlos Gomes ou a música clássica moderna de Heitor Villa-Lobos).

Os discípulos brasileiros da Escola de Frankfurt só conhecem duas leis:

  • O único tipo de cultura que importa é a cultura popular.
  • O único tipo de cultura popular que importa é a que se encaixa na luta ideológica de construção de um “novo mundo”.

Por isso que, na cerimônia de abertura, o ritmo musical mais popular no Brasil foi completamente ignorado. O sertanejo, que nasceu nas áreas rurais e ainda é a única forma musical apreciada em todas as regiões desse país continental, não foi cortejado.

Mesmo tendo sido modificado pela indústria musical nos últimos anos, o sertanejo ainda é a melhor representação da alma do povo brasileiro: um povo cristão, com pessoas trabalhadoras e que valorizam a família e a tradição. Desculpem, mas o brasileiro não é um errante bebendo caipirinha em Copacabana.

A cerimônia poderia ter apresentado um dos cantores sertanejos mais populares, Sérgio Reis, que canta a história de um pobre pai que elevou socialmente seis de seus próprios filhos, assim como também um filho adotivo. Nos dias finais do pai, o filho adotivo acaba sendo o que mais se preocupa com ele.

Poderia ter sido destacada Romaria, uma canção popular de Renato Teixeira que retrata a devoção espiritual do comum homem católico.

Ao invés disso, o que o mundo assistiu nessa sexta-feira foram apresentações de um conhecido apologista à maconha (Marcelo D2), uma Beyoncé falsificada cujas canções raramente falam de outra coisa que não seja sexo (Anitta) e um antigo cantor esquerdista (Gilberto Gil) que, pelo menos, tem algum talento.

Adicione a isso algumas pregações sobre mudanças climáticas, que a noite fica completa.

Após a parte sobre o aquecimento global no show, o comentarista brasileiro anuncia, orgulhosamente, que a pira olímpica do Rio é “a menor da história, e que vai causar o menor impacto [ambiental] possível”.

Enquanto isso, no mundo real, as autoridades regionais não se deram ao trabalho de nem mesmo despoluir as águas da Baía de Guanabara, para torná-la razoavelmente segura para os atletas competirem.

E adivinha? As favelas, que os esquerdistas tanto querem preservar, são o principal motivo para isso, visto que é impossível oferecer saneamento decente em meio às condições em que se encontram.

Os marxistas culturais do terceiro mundo querem ter a certeza de que o Brasil nunca vai ser ótimo.

Texto original: Gabriel de Arruda Castro

Tradução: Douglas Nascimento e Google Nascimento

Para ler o texto original (em inglês), clique aqui.

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