Macron da França pediu para “enterrar” o acordo Mercosul-UE

Hoje examinamos as ramificações financeiras da abordagem indiferente do Brasil ao desmatamento. A redução do salário de emergência para grupos vulneráveis ​​da população. E os problemas jurídicos em curso dos Bolsonaros.

A pressão aumenta à medida que a tragédia ambiental do Brasil persiste

A Parceria da Declaração de Amsterdã, um grupo de oito nações europeias atualmente lideradas pela Alemanha,

exortou o Brasil a tomar “ações reais” contra o desmatamento na Amazônia. “Enquanto os esforços europeus visam alcançar cadeias de suprimentos livres de desmatamento, a tendência atual de aumento do desmatamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores cumprir seus critérios ambientais, sociais e de governança”, disse o grupo em duas palavras. Carta lateral ao vice-presidente Hamilton Mourão.

Por que isso importa. Os países que assinaram a Parceria da Declaração de Amsterdã foram responsáveis ​​por 10% das exportações agrícolas brasileiras em 2020.

  • Enquanto isso, um grupo de 30 ONGs, incluindo o Greenpeace França, pediu ao presidente francês Emmanuel Macron para “enterrar o acordo de livre comércio UE-Mercosul” de uma vez por todas, citando seus efeitos potencialmente “catastróficos” nas florestas, Clima e direitos humanos.

Reação. VP Mourão disse que planeja trazer embaixadores estrangeiros para a região amazônica. E o presidente Jair Bolsonaro chamou o clamor internacional de uma resposta “desproporcional”.

Companheiros estranhos. A casualidade do governo gerou uma estranha aliança no Brasil. Um grupo de 230 instituições, entre produtores agrícolas e ONGs com consciência ambiental, se reuniram para propor propostas de desmatamento. Os grandes produtores temem perder mercados devido à imagem cada vez mais pária do país criada pelo recente aumento do desmatamento.

  • Uma das empresas envolvidas nesse compromisso é a gigante da carne JBS, que recentemente foi citada em relatório que sua cadeia de suprimentos – direta e indiretamente – pode incluir fazendas pelo menos 1,7 milhão de hectares desmatados vegetação nativa da Amazônia e do bioma Cerrado tipo savana desde 2008.

Incêndios florestais. A pressão europeia aumenta à medida que o fogo no O Pantanal continua a enfurecer-se incontrolavelmente. Partículas de fumaça das queimadas no Pantanal deveriam chegar hoje ao estado de São Paulo – o que poderia levar a uma “chuva negra” no fim de semana. Fenômeno semelhante já foi observado no sul do Brasil nos últimos dias. É possível que a fumaça chegue ao litoral do Rio de Janeiro. Em vários estados, o céu pode ficar com uma tonalidade laranja.

Fumaça de desmatamento
Partículas de fumaça viajando pela América do Sul. Imagem: EAS / Copernicus

O novo salário de emergência

O governo está iniciando uma nova rodada de pagamentos do salário de emergência do coronavírus hoje. Pela primeira vez, seu valor será de apenas R $ 300 (US $ 57) em vez dos habituais R $ 600. Para manter a ajuda até o final do ano, o governo cortou seu valor pela metade por motivos orçamentários.

Por que isso importa. O programa utilitário foi levado em consideração 97 por cento da receita para os 10% mais pobres do país. Esse grupo perderá imediatamente 44% de seu poder de compra.

Desafios políticos. O salário de emergência também aumentou o índice de aprovação de Jair Bolsonaro. Se os benefícios diminuírem, vamos observar e relatar como os eleitores reagem.

  • Pesquisas recentes mostram uma tendência de queda na popularidade do presidente. Em 19 de agosto, 52% dos brasileiros aprovaram seu governo – uma taxa que agora caiu para 49%. Embora a diferença seja pequena, a análise de pesquisas envolve mais a curva do que os números isolados.

Bolsonaro tenta evitar declarações pessoais

Procuradoria-geral da República recorreu de decisão do STF Celso de Mello Negar ao presidente Jair Bolsonaro a oportunidade de prestar testemunho escrito durante uma investigação para saber se ele interferiu ilegalmente na Polícia Federal. O benefício costuma ser concedido a chefes de estado em situação semelhante, mas o ministro Mello disse que trataria o presidente “como qualquer outro cidadão investigado”.

  • O presidente já foi intimado pela Polícia Federal, que sugeriu três datas alternativas para o depósito na próxima semana.

Por que isso importa. Embora seja improvável que a investigação leve a algum lugar, o procurador-geral encarregado da investigação do presidente fez tudo o que estava ao seu alcance para não prejudicar os interesses de Bolsonaro. Ainda assim, isso poderia prejudicar ainda mais uma relação já tensa entre a Suprema Corte e o governo.

O tempo está acabando. A aposentadoria compulsória do juiz Mello começa em novembro, quando ele tem 75 anos. O governo está tentando adiar o caso o máximo possível para que caia nas mãos de outro judiciário. Há até uma chance de o caso ir para o sucessor do juiz Mello – que será escolhido pelo presidente Bolsonaro.

Entretanto … Dois dos filhos políticos do presidente – Carlos e Eduardo Bolsonaro – também foram convidados a testemunhar em uma investigação sobre manifestações antidemocráticas que pediam o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. A investigação foi iniciada com base na Lei de Segurança Nacional – instrumento da ditadura usado para silenciar opositores políticos.


O que mais você precisa saber hoje?

  • A infraestrutura. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse que cinco empresas estão prontas para se candidatar. Privatização dos Correios, Empresa postal estatal do Brasil. Ele citou apenas quatro: a varejista Revistas Luiza e Amazon Inc e as gigantes da logística DHL e FedEx. Os trabalhadores dos Correios entraram em greve no dia 17 de agosto para protestar contra a intenção do governo de privatizar a empresa e exigir melhores condições de trabalho.
  • Interesse. Conforme esperado, o Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve a taxa Selic em 2% ao ano – uma série de nove cortes diretos. O comitê afirma que “a inflação de curto prazo vai subir devido a um aumento temporário nos preços dos alimentos e uma normalização parcial de alguns preços dos serviços”, acrescentando que novos cortes na Selic serão pequenos – se houver.
  • Coronavírus. O porta-voz da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou que testou positivo Covid-19. Até o momento, o vice-presidente Hamilton Mourão é a única pessoa no sucessor presidencial que não foi infectada com o coronavírus – o presidente Bolsonaro, o senhor Maia, o presidente do Senado Davi Alcolumbre e o presidente do Supremo Tribunal Federal.
  • Escolas. Com o ano letivo de 2020 já comprometido, as escolas privadas brasileiras estão fazendo seus planos financeiros para 2021 – e enfrentam um verdadeiro quebra-cabeça. Se aumentarem muito as mensalidades, podem perder alunos, pois a maioria das famílias perdeu renda durante a pandemia. Mas aumentá-los muito pouco e eles podem prejudicar suas finanças. A decisão deve ser tomada até 15 de dezembro.
  • Rio. Legisladores cariocas vão votar hoje para iniciar processo de impeachment contra ele suspenso Governador Wilson Witzel – acusado de desvio de fundos para o combate ao coronavírus. Enquanto isso, a prefeitura da capital do estado vai votar se dá início ao processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella, que é suspeito de sacar dinheiro público e lavá-lo por meio de igrejas evangélicas.
  • Orçamento 2021. Senador Márcio Bittar, relator do Orçamento 2021 no CongressoO presidente Jair Bolsonaro autorizou-o a adicionar um novo programa de bem-estar ao orçamento do próximo ano apenas um dia depois de Bolsonaro ter dito que a questão não deveria mais ser discutida em seu governo. “É melhor criarmos este programa agora, para que milhões de pessoas possam ter uma boa temporada de férias”, disse Bittar, que admitiu não ter ideia de onde virá o dinheiro.

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O francês Macron, que deveria “enterrar” o acordo Mercosul-UE, apareceu pela primeira vez no relatório brasileiro.