Joaquim Nabuco: Porque Continuo a Ser Monarchista

Por: Ricardo Schmidt

Não, não é “monarxista”, mas sim monarquista, na escrita do português antes da primeira reforma ortográfica, de 1943. Neste post, irei fazer uma breve análise do documento feito por Joaquim Nabuco, ao jornal Diário do Comércio, em 1890.

Joaquim Nabuco nasceu em Recife, na então Província de Pernambuco, no Império do Brasil, em 1849. Nabuco ocupou várias posições na vida pública, como político, diplomata, jurista, além de poeta e escritor. No entanto, até os dias de hoje, lembra-se de Joaquim Nabuco por ser um grande defensor da libertação dos escravos nos tempos do império, questão muito delicada para o governo e as elites rurais.

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Mas vamos logo ao conteúdo de seu importante texto, disponível aqui na versão original digitalizada (Link).

O autor começa explicando um ponto interessantíssimo sobre a independência do Brasil em relação a toda a América Latina. Enquanto o Brasil se manteve em sua unidade original, e até mesmo maior do que antes na independência, na América Latina hispânica se espalharam várias republiquetas separadas, em nome da revolução e de uma suposta igualdade, que nunca seria atingida.

Os governos da América Latina eram tudo, menos democráticos, argumenta Nabuco. De fato, todos passaram por inúmeros golpes atrás de golpes, sempre com um novo militar no poder. O ditador desses países não chegava lá por carisma ou aprovação do povo, mas sim por carreirismo no meio político-militar, que não se separavam.

No Brasil aconteceu exatamente o oposto. A mesma família do tempo da colônia é que continuou a governar o país, mantendo sua tradição, religião, estrutura nacional, e estabilidade. Obviamente houve guerras, principalmente no período regencial, mas que desapareceram sob a influência magnânima de Dom Pedro II. E é nesse ponto que Nabuco sempre volta. A imagem do imperador estava enfraquecida, de fato, mas isso em uma parte da elite e do exército, o povo em si se chocou ao saber que a Família Imperial havia sido expulsa do país, mas o povo em geral, como quase sempre na história do Brasil… Abaixou a cabeça e aceitou!

Joaquim frisa a tentativa falha do governo militar provisório de imitar o modelo norte-americano de federalismo, até mesmo a bandeira era praticamente a mesma em forma. O modelo norte-americano falhou no país, e Nabuco estava preocupado que nada disso fosse ao menos tentado, e o país acabasse como qualquer país da América Latina sob os militares.

O Império do Brasil era de fato um estado respeitado pelo mundo todo, e Joaquim que foi diplomata nos EUA percebeu que mesmo os americanos estavam se indagando com essa súbita substituição de Dom Pedro II por seu “amigo”, Teodoro da Fonseca. O Brasil no tempo era considerado pelos americanos o único vestígio de democracia na América Latina, e claramente do Hemisfério Sul.

Joaquim ao final ainda dá alguma chance da república mostrar ao que veio, tendo em mente que dificilmente haveria um retorno da Família Imperial naquele momento. Dom Pedro II morreria um ano depois do documento, dois anos depois da proclamação da república, em 1891.