Incêndios florestais no Pantanal continuam fora de controle

A pior região úmida está passando pela pior tragédia em décadas. Em 2020, quase 17 por cento da vegetação nativa no bioma Pantanal do Brasil foi destruída por milhares de incêndios florestais descontrolados – uma área maior do que toda Israel. Até o domingo, 14,5 mil incêndios haviam sido registrados somente na região este ano – um aumento de 210% em relação a 2019. A situação é tão ruim que o governo federal declarou estado de emergência no estado de Mato Grosso.

A região do Pantanal abriga mais de 2.000 espécies de plantas e 1.000 espécies de animais, algumas das quais únicas na região. É o lar de uma das bacias hidrográficas mais importantes da América do Sul e uma grande fonte de água potável e umidade para animais e florestas. “A região tem uma capacidade enorme de absorção de carbono, o que a torna ainda mais importante no contexto das mudanças climáticas”, afirma Geraldo Damasceno Jr., professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Nós relatado pela primeira vez sobre a crise atual em julho – e só então a situação piorou como resultado de fortes secas, desmatamento desenfreado e a rápida expansão da agricultura para áreas florestais. As áreas que deveriam ter sido inundadas agora estão cobertas por vegetação ressequida – que acaba se tornando combustível para incêndios florestais.

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Foto: Lucas Ninno / TBR

Em julho (geralmente o pico da estação chuvosa), o nível da água atingiu o nível mais baixo em 47 anos, de acordo com as autoridades. O volume de precipitação caiu 40% em comparação com a média da última década. Ainda não se sabe se esse fenômeno é apenas uma anomalia ou se é outro exemplo dos profundos efeitos das mudanças climáticas – algo que os especialistas pensavam que só seria sentido em décadas.

Incêndios florestais no Pantanal continuam fora de controle
Incêndios florestais no Pantanal continuam fora de controle

Além disso, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que 2020 foi o ano com mais incêndios florestais a partir da década de 1990, quando o instituto desenvolveu a atual plataforma de monitoramento de incêndios florestais.

A crise ambiental será difícil de conter por pelo menos mais um mês, pois as chuvas não devem começar até outubro. & # 8220; No entanto, este ano eles podem começar mais tarde devido às condições meteorológicas & # 8221; disse o biólogo Carlos Padovani, da Associação Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).


Os incêndios florestais tornaram-se o “novo normal”?

Apenas um ano após o Brasil enfrentar uma crise internacional causada por grandes incêndios florestais na Amazônia, o país enfrenta mais uma crise ambiental. E os especialistas temem que esses incêndios florestais incontroláveis ​​levem a um & nbsp; Característica regular da vida brasileira, resultado de décadas de expansão agrícola não regulamentada que resultou em anomalias nos ciclos das chuvas.

Na verdade, a crise do Pantanal tem tudo a ver com o desmatamento na Amazônia. A destruição da floresta tropical afeta o & # 8220;rios voadores& # 8221; Fenômeno, movimento de grandes quantidades de vapor d’água na atmosfera da bacia amazônica para outras partes da América do Sul.

Podemos dizer que a Amazônia dá vida a quase todos os biomas do continente, mas no primeiro semestre de 2020 mais de 3.000 quilômetros quadrados de floresta tropical foram colocados em alerta de desmatamento – o maior em cinco anos.

Embora as taxas de desmatamento tenham aumentado nas últimas décadas, o governo de Jair Bolsonaro Abordagem laissez-faire em regulamentações ambientais, o número aumentou seriamente. E é improvável que a situação melhore já que o governo planeja reduzir o orçamento dos órgãos de proteção ambiental em 2021, uma decisão que dificultará ainda mais um quadro já frágil de aplicação da lei.

pantanal
Foto: Lucas Ninno / TBR

A agricultura está se expandindo em detrimento das florestas

Especialistas afirmam que o agronegócio é o principal responsável pelo desmatamento na região do Pantanal. Em 2019, o Congresso permitiu que proprietários de terras usassem até 80% de suas terras. Esses requisitos de conservação estipulados são de apenas 20% (na Amazônia, porém, 80% das fazendas devem permanecer intactas).

Apesar das regulamentações vagas, uma pesquisa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul constatou que pelo menos 40% do desmatamento na região é totalmente ilegal.

De acordo com a ONG SOS Pantanal, 15% das terras do bioma foram convertidas em pastagens pelos proprietários locais. No passado, o gado ocupava certas áreas durante a estação seca, mas os fazendeiros as deslocavam no início da estação chuvosa. & Nbsp; Com a diminuição das chuvas, os produtores expandem o uso da terra para o plantio de pastagens exóticas – o que afeta gravemente a biodiversidade local.

Em 2006 a ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) publicou um estude Advertindo que a expansão descontrolada da agricultura e pecuária no Pantanal destruiria o bioma em um período de 45 anos & # 8221; levando em consideração uma taxa média de destruição de 2,3% ao ano.

Quatorze anos se passaram – e a crise climática só parece ter piorado.

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