Herdeiro do Trono brasileiro: governo Temer não é legítimo

Luiz Philippe de Orleans e Bragança, 48 anos, é descendente direto de personalidades históricas como Dom Pedro II e Princesa Isabel Leopoldina. Sua família pertence ao Ramo de Vassouras, que detém o direito à eventual sucessão ao trono no eventual caso de o Brasil vir a adotar o regime monárquico. Mestre em Ciências Políticas pela Universidade de Stanford (EUA), trabalhou na área de planejamento financeiro da Compagnie de Saint-Gobain e adquiriu vasta experiência em investimentos nos bancos especializados JP Morgan, em Londres, e Lázard Freres, em Nova York, além de atuar como diretor de desenvolvimento de negócios da America Online para a América Latina.

Em fevereiro de 2015, foi co-fundador do Movimento Liberal Acorda Brasil. Como ativista político, foi articulador de propostas de reforma política como voto distrital, bem como das emendas constitucionais para recall de mandato e do projeto de lei de transparência tributária.

Para Luiz Philippe, os brasileiros se desencantaram com a política mas, recentemente, recuperaram o gosto pela discussão:

“A vontade de engajamento político do povo brasileiro foi despertado há três anos. Ele existe de fato e é uma boa notícia. Temos então um grande futuro com o povo engajado. Existe porém a necessidade de se explicar como funciona a máquina pública porque o processo de deterioração do Poder Público tem sido constante, independente de quem ocupa o cargo [de Presidente da República]”, disse.

Herdeiro do Trono brasileiro: governo Temer não é legítimo
Herdeiro do Trono brasileiro: governo Temer não é legítimo

Segundo ele, “deu-se uma decepção entre o final do primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff e sua reeleição, com a percepção de fraude muito grande que culminou com o impeachment da Presidente”. “E o Estado brasileiro – não o Poder que foi substituído — mas o Estado em si tem sido mitigado em benefício daqueles que, nesse momento, ocupam cargos de governo ou são governo neste momento. Então, a deterioração do Estado continua apesar de ter havido uma troca de poderes e, portanto, de governantes”, acrescentou.

Para Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, é inegável a perda de qualidade da atividade política, em detrimento do próprio povo brasileiro:

O cientista político dedica observação especial às reformas que estão sendo postas em prática e as que estão em debate no Congresso Nacional. No entanto, considera faltar propriedade ao governo Michel Temer para implementá-las:

“São reformas legítimas só que estão nas mãos de um governo não legítimo. Ou melhor, ele é legítimo sim pela Carta Constitucional mas este governo não tem base popular. Este governo fez parte do governo anterior, um governo envolvido com escândalos de corrupção. Então, dizer que o governo atual não tem nada a ver com o governo anterior é inocência ou querer tapar o sol com a peneira. Temos um grave problema aí: as reformas são necessárias mas não teriam de ser implementadas por um governo que não deveria estar no Poder”, destacou.

Embora considere as reformas necessárias, o cientista político vislumbra poucos resultados práticos:

Para Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, é inquestionável o desejo da sociedade brasileira por mudanças políticas imediatas totais:

“Do ponto de vista político, continua a deterioração do quadro e, a meu ver, até compromete uma desejada renovação política para 2018. Percebo em Brasília que, dos poucos, muito poucos deputados federais e senadores que escapam desta sensação generalizada de descrédito popular, nenhum deles ainda entendeu o significado e o alcance das redes sociais. A sensação é de que o povo quer uma mudança total e radical, uma renovação ampla que denote uma mudança total no quadro político brasileiro”, afirma.

Em outubro próximo, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança lançará o livro “Por que o Brasil é um país atrasado?” em que abordará, com maior profundidade, os conceitos enunciados nesta entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil. O livro será publicado pelo Grupo Editorial Novo Conceito.

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