Fugindo de si mesmo e do mundo

“Não poucas vezes esbarramos
com o nosso destino pelos
caminhos que escolhemos
para fugir dele”.

(Jean de La Fontaine)

Quando vemos a palavra fugir ou fuga, as primeiras coisas que vem a cabeça são ladrões fugindo da justiça, pessoas utilizando a fuga da realidade através dos vícios e outros refúgios, no entanto

já parou para pensar quantas vezes fugimos de nós mesmos?

Fugindo de si mesmo e do mundoFugindo de si mesmo e do mundo

Fugir significa afastar-se; distanciar-se de uma situação de perigo, de alguém ou de alguma coisa ameaçadora. Abandonar ou escapar; sair de algum lugar por qualquer razão.

A fuga é uma estratégia conhecida por muitos de nós. O receio de sofrer decepções ou lidar com situações difíceis, faz com que o indivíduo crie seu próprio mundo onde aparentemente estará longe de um ambiente hostil e doloroso como se agindo assim os problemas ficassem para traz, no entanto eles sempre encontram um lugarzinho em sua bagagem.

Reconhecer que está fugindo de algo é difícil de admitir. Tirando exceções, quem foge passa uma imagem de pessoa fraca, covarde, sem força de vontade. Para alguns é bem fácil enganar o mundo usando uma máscara, porém, seu coração conhecerá a verdade e estará inquieto: “Podes fugir dos outros, mas não de ti mesmo”. Contudo, quando estamos pensando corretamente, percebemos que há certas coisas que justificam uma saída apressada.

Quem está fugindo de si mesmo busca na maioria dos casos o isolamento, está em fuga do mundo, se pudesse entrava em um foguete e iria para outro planeta. A seu ver esta atitude é uma proteção e segurança contra os tormentos passados, presentes e futuros.

A timidez é um fator agravante desse desejo de fuga. Para alguém mais introvertido é um tormento ter de se expressar, pois logo mentaliza as possíveis críticas, os julgamentos e opiniões de terceiros. Não são todos que tem a capacidade de lidar com alguém que esteja fugindo de si mesma, torna se estressante pois esta pessoa parece ser pessimista, introspectiva e se fecha para o mundo.

Quais os motivos e consequências do isolamento?

Abaixo o pensamento do escritor pedagogo Carlos Bernardo González Pecotche:

“O isolamento sobrevém quando o indivíduo é tomado por estranhos pensamentos de ceticismo e indiferença. Perdida a fé em seus semelhantes e em suas possibilidades, ele procura o isolamento como meio seguro de imunidade social. Mas a propensão a isolar-se tem também sua causa na curteza mental, na escassa capacidade – tantas vezes motivo da falta de confiança em si mesmo –, na reserva, na aspereza, etc., e também se descobre sua origem na criança coibida, na apoucada ou retraída.

A esse respeito, diremos que, embora se deva ser cauteloso no uso dos estímulos que se dão à criança para fomentar sua desenvoltura, é preciso empregá-los abundante e empenhadamente naquela que apresenta esta tendência, procurando neutralizá-la quanto antes, se quer evitar que algum pensamento indesejável ou improdutivo, incubando-se na criança, domine um dia sua vontade e, com os anos, transtorne seu juízo.

Seja qual for a origem desta propensão, concluiremos sempre que isolar-se é um erro cuja persistência leva o indivíduo a lamentáveis extremos de misantropia.

O isolamento voluntário endurece os sentimentos do homem e trava as faculdades de sua inteligência. Faz com que viva na ilusão de um retiro psicológico que crê desfrutar sozinho, sem admitir que o acompanham em sua fuga pensamentos que o tornam estranho e intratável.

Sobram razões para pensar que quem se empenha em viver isolado é, além de insociável, egoísta, pois não toma conhecimento das aflições e problemas da humanidade, em cujo contato está obrigado a viver por lei natural.

A convivência entre os semelhantes, dentro da esfera onde cada qual desenvolve suas atividades e manifesta seus gostos, aptidões, preferências ou inclinações, é tão necessária e útil ao homem como a mobilidade para evitar o entorpecimento de seus membros”.

Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano

de Carlos Bernardo González Pecotche.

Quando tudo estiver dando errado e você se sentir incapaz de lidar com tudo, é um sinal de que você precisa parar e refletir:

Vale a pena continuar fugindo?

Se isolar é a melhor solução?

Enfrentar a realidade e conhecer as consequências?

São muitas as perguntas, mas só você tem a resposta. A felicidade é o principal objetivo do ser humano, a até chegarmos a ela, um longo caminho temos que percorrer. Nem sempre durante a caminhada serão apenas flores ou somente pedras, a cada passo vamos aprendendo com as coisas mais simples da vida, com os erros, os acertos, as decepções, o importante é seguir em frente e se tornar um ser humano melhor.

“Se não puder voar, corra.
Se não puder correr, ande.
Se não puder andar, rasteje,
mas continue em frente de qualquer jeito”.

Martin Luther King

Gracias!S. R.