FMI alerta para altos riscos no Brasil e elogia socorro emergencial

Hoje estamos discutindo os riscos que o Brasil enfrenta – segundo o FMI. A recuperação do setor eletrônico do país. E dados exclusivos sobre disputas relacionadas à privacidade.

FMI: Brasil enfrenta riscos “excepcionalmente altos”, mas nem tudo é ruim

Em um comunicado após uma visita oficial ao Brasil, o Fundo Monetário Internacional disse que o país corre um risco “excepcionalmente alto e diversificado” enquanto continua lutando contra a pandemia Covid-19 e suas consequências econômicas.

  • O FMI alerta para o elevado nível de endividamento do Brasil, que “deverá subir para cerca de 100% do PIB em 2020 e permanecer elevado no médio prazo”. Ja estivemos la em maio O relatório brasileiro alertou que altos níveis de dívida impediriam uma recuperação rápida em forma de V no Brasil.
  • O compromisso com a responsabilidade fiscal e as reformas que garantam a estabilidade no médio prazo serão fundamentais para a confiança do mercado, segundo o FMI. Na tentativa de criar um programa de previdência que evite uma grande crise social em 2021 – quando termina o salário de emergência do coronavírus – o governo tem flertado com a ideia de criar isenções ao teto de gastos federais, o que desanima os investidores.
  • No entanto, alguns dos riscos estão fora do controle do país. Ainda não se sabe como a pandemia se desenvolverá – ou quando uma vacina eficaz e segura contra o coronavírus estará disponível.

Sim mas … O relatório do FMI também apontou alguns aspectos positivos do atual momento brasileiro. Em particular, o Fundo elogiou o programa salarial de emergência, que “aumentou a renda de cerca de 23 milhões de pessoas (10% da população total) acima da linha de pobreza extrema”, e os programas de retenção de emprego que “ajudaram a proteger os empregos formais”.

  • Essas medidas permitiram um colapso econômico menos dramático do que o esperado – com previsões atuais de crescimento do PIB de -5,8%. No início do ano, a previsão era de -9,1 por cento. Em 2021, o FMI prevê uma “recuperação parcial” de crescimento de 2,8%.
  • A taxa de juros de referência de baixa recorde combinada com cortes no vencimento médio da dívida “permitiu ao governo cortar seus custos de empréstimos para níveis historicamente baixos (5 por cento de um máximo de quase 15 por cento no final de 2016).”
  • “Reservas internacionais substanciais, um sistema bancário robusto e uma baixa proporção da dívida pública em moeda estrangeira são pontos fortes importantes. As reservas internacionais representam cerca de 150 por cento do valor de referência do FMI (ARA) e 250 por cento da dívida externa e oferecem uma almofada confortável contra choques externos ”, escreve o fundo.

Reformas. Com os parlamentares focados nas eleições locais, não há tempo para reformas estruturais antes do final de 2020. No entanto, um passo importante para a estabilidade política de curto prazo pôde ser visto em Brasília nesta segunda-feira: o cessar-fogo entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Depois do jantar, eles prometeram seu maior apoio ao limite de gastos federais – ao mesmo tempo em que se comprometeram a encontrar soluções de bem-estar que não explodissem o déficit.


EXCLUSIVO: O setor financeiro recebe o maior número de reclamações de privacidade no Brasil

Apenas duas semanas após a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) do Brasil, as empresas financeiras já estão sentindo o calor dos clientes irritados.

Direitos do consumidor. Dados do instituto de defesa do consumidor Reclame Aqui – compartilhados exclusivamente com O relatório brasileiro – mostra um total de 233 reclamações relacionadas à proteção de dados entre 18 e 30 de setembro. A maioria das reclamações são os suspeitos habituais: bancos e empresas financeiras (20,6 por cento), agências de crédito (10,3 por cento) e serviços de telefonia (7,3 por cento).

  • Chamadas frequentes, faturamento incorreto e spam de SMS foram os problemas mais comuns relatados.

Tradição. Bancos e empresas de telecomunicações são os que mais reclamam dos serviços brasileiros de proteção ao cliente há anos. A autorregulação empresarial pouco fez para reduzir a insatisfação do cliente.

Por que isso importa. Apesar da entrada em vigor da Lei de Proteção de Dados, o governo ainda não criou uma vigilância nacional. Sem um regulador adequado, os tribunais assumirão esse papel – o que, segundo os defensores da proteção de dados, pode levar a “litígios desnecessários”.

  • Pelo menos duas empresas já foram processadas por abuso de dados do consumidor, conforme explicamos em nosso Tech Roundup em 2 de outubro.

Setor eletrônico do Brasil quase antes da pandemia

O setor eletroeletrônico brasileiro criou 6.400 novos empregos em agosto, pelo terceiro mês consecutivo de expansão do emprego. Com o rali recente, o setor agora emprega 293.100 pessoas e quase recuperou suas 239.300 pessoas pré-pandêmicas.

Por que isso importa. Segundo a Abinee, empresa que representa empresas do setor eletroeletrônico, todos os indicadores econômicos sugerem que o pior está por trás disso.

  • Pesquisa realizada pela Abinee mostra que 82% das empresas do setor melhoraram suas projeções para a economia brasileira no curto prazo e têm maior probabilidade de investir e contratar.
  • No entanto, muitos participantes do setor acreditam que esse frenesi de contratações vai parar, a menos que o Congresso vete o presidente para manter cortes de impostos sobre os salários para eles.

Sem crise de abastecimento. O setor sofreu com a escassez de oferta no início deste ano, quando a China quase paralisou sua economia para conter o coronavírus. O setor de TI e eletrônicos importa mais de US $ 8,7 bilhões anualmente do gigante asiático, mais do que qualquer outro segmento. Enquanto isso, a oferta se normalizou para quase todas as empresas.

  • Apesar dos soluços, 69 por cento das empresas que enfrentaram escassez o fizeram Não lançou planos para descentralizar suas cadeias de abastecimento e citou a complexidade de encontrar novos parceiros.

O que mais você precisa saber hoje?

  • Bolsonaro. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, marcou para quinta-feira um julgamento no qual o tribunal decidirá se o presidente Jair Bolsonaro pode prestar depoimento por escrito como parte de uma investigação sobre sua suposta interferência ilegal na Polícia Federal. O relator do caso, ministro Celso de Mello, quer que o presidente testemunhe pessoalmente “como faria qualquer outro suspeito”.
  • Suprema Corte. Durante um culto na Igreja Evangélica de Deus neo-carismática em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro prometeu nomear um pastor evangélico para preencher o próximo cargo no Supremo Tribunal Federal, que abre no próximo ano. Ele exortou os presentes a “imaginar as sessões da Suprema Corte que começam com uma oração”, embora o Brasil seja um estado laico por lei. Bolsonaro escolheu um juiz federal católico para uma vaga que ficará vaga na próxima semana.
  • Escolha. No mesmo caso, o presidente quebrou a promessa de não apoiar candidatos a prefeitos antes do segundo turno e disse estar pronto para apoiar o deputado Celso Russomano na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Bolsonaro tem um interesse particular nesta eleição, pois busca enfraquecer o governador de São Paulo, João Doria, que tem sua própria campanha presidencial em mente em 2022. Atualmente, Russomano espera não repetir seu desempenho de campanha nas duas últimas corridas para o prefeito, quando começou forte, mas não conseguiu se classificar para a fase de obtenção de vazas em nenhuma das ocasiões. O titular Bruno Covas, apoiado por Doria, está em segundo lugar com 21 por cento.
  • LGBTQ 1ª Pela primeira vez na história do Brasil, os candidatos transgêneros podem usar seus nomes falsos ao se candidatar a um cargo. Até a corrida de 2018, apenas as pessoas que haviam passado por um processo completo de redesignação de gênero podiam correr com uma nova identidade. Para as mulheres trans, esta é uma forma importante de garantir o financiamento de suas campanhas – já que os partidos devem ter pelo menos 30% dos candidatos, que receberão 30% do dinheiro dos votos.
  • LGBTQ 2. O Conselho Nacional de Justiça também concedeu às pessoas LGBTQ o direito a condições especiais no cumprimento de penas de prisão – possivelmente em alas separadas do restante da população carcerária, a fim de preservar sua integridade física. A decisão deve beneficiar as mulheres trans que normalmente são encarceradas em prisões masculinas sem qualquer separação.

O Pós-FMI alerta para os altos riscos no Brasil, mas elogia a ajuda emergencial, que foi publicada pela primeira vez no relatório brasileiro.