Crime: estar na contra mão do mundo.

Quanto mais livre o ser humano pensa ser, mas prisioneiro está. Prisioneiros de si mesmos, de uma sociedade puramente consumista, dos deveres, da falta de deveres, dos compromissos ou falta deles, do politicamente correto e dos padrões impostos como os de beleza, culturais, musicais e comportamentais.

Pela ótica atual o padrão imposto é que, adolescentes, geralmente não gostam de estudar, não tem responsabilidades, são carentes, revoltados sem causa ou “aborrecentes” em toda extensão da palavra, admiradores de conteúdos “culturais” de péssima qualidade, não acordam cedo, o cérebro deve estar atrofiado até completar a tão sonhada maioridade e, ai daqueles que ousarem quebrar estas imposições.

Com a ajuda da indiferença de muitos pais, a indústria globalizada empurra goela abaixo qualquer coisa considerada cultura, contendo gosto duvidoso com respaldo na suposta liberdade de expressão e não preconceito, cria estereótipos do que é ser adolescente feliz e bem sucedido. Criam fogos de artifícios disfarçados de estrelas, nos quais a maioria de nós devemos nos inspirar e espelhar, seja cortando o cabelo igual, usando as roupas parecidas, falando os mesmos vocabulários, colocando a língua para fora e competindo para ver quem se expõe mais ao ridículo ou tem maior ousadia.

Crime: estar na contra mão do mundo.
Crime: estar na contra mão do mundo.

Justin Bieber, Miley Cyrus entre outros ídolos teen, são colocados em um patamar mais elevado que Albert Einstein, John Locke, Évariste Galois, Descartes, Mahatma Gandhi entre outros.

Se você é um adolescente que possui inteligência, responsabilidade, personalidade e uma certa timidez, vá para Marte, aqui virou crime!

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Surge o Bullying contra os que não aceitam tais estereótipos, se você tem uma dedicação maior aos estudos, provavelmente já foi chamado de “nerd”, se tem um gosto mais apurado para a cultura é “esnobe”, “arrogante”, “careta”, “quadrada”, se se veste bem sem seguir tendências, pode ser chamada de patricinha, entre outros apelidos de forma pejorativa.

Muitos para não se sentirem excluídos ou se tornarem alvos dos demais, acabam agregando coisas que não gostam, que não fazem bem para si, para não serem condenados a prisão da indiferença, do bullying, perdendo aos pouco sua essência ou se sentindo um ET em seu próprio mundo.

Mas tal imposição não deve ser aceita, o fato de ser adolescente não implica ser desprovido de senso crítico, bom gosto e talento nato de fato, quanto mais mantermos nossa essência será melhor para nós e para os outros, somos seres ímpares com potencial para fazer um mundo não perfeito, mas melhor a começar pelos que estão próximos a nós.

Não é errado alguém ser mais liberal ou “vida louca”, “zoeira”, o erro está em querer impor a todos fazendo terrorismo psicológico com quem não adere a determinadas ideologias e comportamentos.

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“Não seja como a lua, seja como uma estrela, distante…
Semelhantes a várias, sem muito destaque entre as demais,
porém com brilho próprio”.