Cora Coralina | A poesia não tem idade

Primeiro agradeço o carinho e atenção de todos os leitores e comentaristas que nos dão a honra da presença. Sejam Bem-vindos! O Recanto Rosa é dedicado ao universo da Cultura, Artes, Curiosidades e variedades.

Para estreia do Recanto Rosa, escolhi a biografia de Cora Coralina, poetisa que admiro muito pela simplicidade e ao mesmo tempo poder nas palavras. Seu legado vai além dos Livros e Poesias que

tocam a alma, deixa um exemplo de vida, perseverança e que a Poesia não tem idade, é eterna.

“Mesmo quando tudo parece desabar,
cabe a mim decidir entre rir ou chorar,
ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri,
no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.
Não sei se a vida é curta ou longa para nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve,
palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia,
lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

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Cora Coralina

Cora Coralina pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) é a grande poetisa do Estado de Goiás, considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

Ao completar 50 anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como “a perda do medo”. Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.

Começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos, apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries.

A mais recuada indicação que se tem de sua vida literária data de 1908, através do semanário “A Rosa” o jornal de poemas femininos. Criado juntamente com as amigas Leodegária de Jesus, Rosa Godinho e Alice Santana. Todavia, constam trabalhos seus nos periódicos goianos antes dessa data.

Em 1910, seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, é publicado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”, já com o pseudônimo de Cora Coralina.

No ano de 1911 conhece o advogado divorciado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos: Paraguaçu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Ísis e Vicência. Seu marido a proíbe de integrar-se à Semana de Arte Moderna, a convite de Monteiro Lobato, em 1922. Em 1928 muda-se para São Paulo/SP. Em 1934, torna-se vendedora de livros da editora José Olimpio que, em 1965, lança seu primeiro livro, “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”.

Em 1976, é lançado “Meu Livro de Cordel”, pela editora Cultura Goiana. Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.

Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma.

Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG (1983). E, logo depois, no mesmo ano, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos

Escritores. Dois anos mais tarde, faleceu em Goiânia, de pneumonia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.

A 31 de janeiro de 1999, a sua principal obra, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, foi aclamada através de um seleto júri organizado pelo jornal O Popular, de Goiânia, uma das 20 obras mais importantes do século XX. Enfim, Cora torna-se autora canônica.

“Coração é Terra que ninguém vê”

Quis ser um dia, jardineira

de um coração.

Sachei, mondei – nada colhi.

Nasceram espinhos

e nos espinhos me feri.

Quis ser um dia, jardineira

de um coração.

Cavei, plantei.

Na terra ingrata

nada criei.

Semeador da Parábola…

Lancei a boa semente

a gestos largos…

Aves do céu levaram.

Espinhos do chão cobriram.

O resto se perdeu

na terra dura

da ingratidão

Coração é terra que ninguém vê

– diz o ditado.

Plantei, reguei, nada deu, não.

Terra de lagedo, de pedregulho,

– teu coração. Bati na porta de um coração.

Bati. Bati. Nada escutei.

Casa vazia. Porta fechada,

foi que encontrei…

Bibliografia da autora

Em ordem cronológica, as obras de Cora Coralina:

  • Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais (poesia), 1965 (Editora José Olympio).
  • Meu Livro de Cordel, (poesia), 1976
  • Vintém de Cobre – Meias confissões de Aninha (poesia), 1983
  • Estórias da Casa Velha da Ponte (contos), 1985
  • Meninos Verdes (infantil), 1986 (póstumo)
  • Tesouro da Casa Velha (poesia), 1996 (póstumo)
  • A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (infantil), 1999 (póstumo)
  • Vila Boa de Goias (poesia), 2001 (póstumo)
  • O Prato Azul-Pombinho (infantil), 2002 (póstumo)