Consciência Negra ou Humana? – Recreio

“A alma não tem cor e a morte não tem preconceito”. (S.R.)

O Brasil é sem dúvida um dos países mais lindos do mundo não

só pelas paisagens naturais, como pela cultura e beleza do miscigenado povo brasileiro.

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Uma das manchas mais tristes na história do Brasil foi a Escravidão, na qual os negros eram trazidos do continente Africano em condições sub-humanas nos porões dos navios negreiros, para trabalharem nos engenhos de açúcar e nas minas de ouro.

Trabalhavam de sol a sol recebendo em troca apenas uma alimentação de péssima qualidade e trapos para cobrir o corpo, não tinham sequer liberdade religiosa que certamente serviria de alento diante de tanta dor. Como se não bastasse eram submetidos a cruéis castigos físicos.

Foram anos de sofrimento, muitas pessoas não concordavam com a escravidão e algumas leis foram criadas para defender os direitos dos negros como A Lei do Ventre Livre e Lei dos Sexagenários, até que pela pressão da Inglaterra interessada em expandir seu mercado consumidor, a Lei Áurea foi assinada em 13 de maio de 1988 pela Princesa Isabel que ficou conhecida como a libertadora dos escravos.

Apesar desta liberdade jurídica, a realidade foi bem diferente, o racismo ainda era muito forte, continuavam sendo vistos como inferiores. Muitos ficaram em situações precárias, sem ter onde morar, sem emprego ou qualquer forma digna para seu sustento e foram preteridos em detrimento aos imigrantes que chegavam para trabalhar nos cafezais.

Em 1970 surgiram muitos questionamentos através dos Movimentos Negros sobre a forma que era abordada a libertação dos escravos e a resistência em reconhecer a contribuição e importância dos mesmos para o crescimento do país.

Desde então vários movimentos surgiram em busca da inclusão dos negros na sociedade brasileira de forma digna, e que sua luta pela liberdade não seja esquecida ou menosprezada. Pois não dependeu somente da caridade da sociedade branca de então e sim da luta daqueles que nunca se conformaram com o regime imposto através de rebeliões, fugas em massa e sempre procuraram manter viva sua religiosidade.

Em 2003, foi sancionada a lei 10.639/03 sendo instituída obrigatoriedade da inclusão da História da África e da Cultura Afro-brasileira no currículo das escolas pública e particulares de Ensino Fundamental e Médio.

O dia 20 de novembro foi escolhido como uma homenagem a Zumbi dos Palmares, um dos principais líderes da luta e resistência negra contra a opressão que sofreram morto nesta data no ano de 1695.

Reconheço a importância e respeito à data, no entanto imagino como seria bom que os direitos, deveres, oportunidades e obrigações fossem mais justos não só em teorias como também na prática.

Muito triste saber que precisamos de leis para que respeitemos e reconheçamos o valor dos nossos semelhantes, o racismo está impregnado de uma forma camuflada no Brasil, e deve ser combatido abertamente.

É importante refletir sobre a Consciência Negra e sua importância, sem abrirmos espaço para mais divisões, para que no futuro não tenhamos que comemorar o dia da consciência branca, albina, amarela, parda, e assim sucessivamente.

Que a consciência negra não fique restrita apenas ao dia 20 de novembro, mas nos demais dias do ano, e principalmente em nossos corações, e seja expressa em forma de respeito ao próximo, afinal pertencemos todos a mesma raça, a humana.