Caronte, o barqueiro da Morte

Na antiga Grécia existiam os rios Estige e Aqueronte , cujas águas turbulentas, negras e salobras delimitavam a região do inferno.

Infelizmente todos que morriam precisavam passar por esse rio para chegar ao mundo subterrâneo caso contrário ficaria vagando pela Terra o que era muito doloroso para qualquer alma. Por conta das águas traiçoeiras, ninguém se atrevia a atravessar o rio sem auxilio e para isso existia uma figura lendária da mitologia que fascina até hoje por sua personalidade sombria.

Caronte era seu nome, filho de Érebo e da Noite, um barqueiro velho e esquálido, mas forte e vigoroso, que tinha como função transportar para além do Estige e do Aqueronte as sombras dos mortos em uma barca estreita, feia e de cor fúnebre. Porém, só transportava as que haviam recebido o devido sepultamento e ainda cobrava pela travessia, daí o costume de se colocar duas moedas de ouro cobrindo os olhos dos defuntos.

Caronte, o barqueiro da MorteCaronte, o barqueiro da Morte

O barqueiro do inferno – como era chamado – recebia em seu barco pessoas de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto às folhas do outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. O velho não parava nunca e ainda sobravam almas aos montes na margem do rio implorando pela travessia. Todos se aglomeravam querendo passar, ansiosos por chegarem à margem oposta, mas o severo barqueiro somente levava aqueles do qual ele escolhia, empurrando o restante para trás. Ele precisava ser severo, não dava desconto e não fazia fiado, ali era questão de morte apenas.

O velho Caronte sempre irredutível concordava apenas com o embarque das almas para as quais os vivos haviam celebrado as devidas cerimônias fúnebres, enquanto as demais, não podiam atravessar o rio, pois estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante cem anos, para cima e para baixo, até que depois de decorrido esse tempo elas finalmente pudessem ser levadas, mas isso ainda assim dependia da bondade do velho, o que não lhe era peculiar.

Caronte repelia impiedosamente as sombras daqueles que haviam sido privados de sepultura, e deixava-as errar durante cem anos sobre as margens do rio, onde em vão estendiam os braços para a outra margem.

Em vida nenhum mortal podia entrar em sua barca, a não ser que tivesse como salvo-conduto um ramo de ouro de uma árvore fatídica, consagrada a Prosérpina. A Sibila de Cumes deu um desses ramos a Enéias quando ele quis descer aos Infernos.

Pretende-se mesmo que Caronte foi punido e exilado durante um ano, nas profundezas do Tártaro, por ter passado a Hércules na sua barca, sem que esse deus estivesse munido do magnífico e precioso ramo.

Fonte: Mitologia online, Wikipédia.