Brasil perde chance de ouro na disputa EUA-China

Além de um grande número de mortos, uma recessão econômica sem precedentes e um possível “apocalipse do emprego”, a pandemia mais uma vez espremeu o Brasil entre seus dois principais parceiros comerciais – China e Estados Unidos – para se tornar o incontestável epicentro mundial do Covid 19 O maior mercado da América Latina hoje é um campo de batalha para a diplomacia do superavírus de coronavírus – ou seja, o uso da cooperação em saúde para fortalecer a influência dos países no cenário global.

Há algumas semanas, a cidade de São Paulo recebeu 30.000 máscaras protetoras das autoridades da metrópole chinesa de Shenzhen. A oferta foi usada para fornecer equipamentos de proteção aos trabalhadores da saúde na cidade com o maior número de casos de Covid-19 (73.000) e mortes (8.800). A cidade já havia recebido doações do governo de Xangai e do Banco da China – 50.000 máscaras cada. Essas medidas de cooperação fazem parte dos esforços da gigante asiática para mudar a maneira como lida com a pandemia.

Do outro lado do problema estão os Estados Unidos, que adotaram uma postura anti-China sob o presidente Donald Trump – o vírus da coroa “o vírus chinês”. e até mesmo Separar as relações de seu país com a Organização Mundial da Saúde.

Casa Branca de Trump acaba de enviar Brasil 2 milhões de latas da droga da malária cloroquina. Embora não tenha eficácia comprovada contra o Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro o considerou uma “possível cura”. Para a doença, o Ministério da Saúde do Brasil – liderado por um oficial militar com formação em logística, não de ciência ou assistência médica – liderou o pedido a todos os pacientes do Covid-19.

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& # 8220; A cloroquina tornou-se panaceia por líderes populistas, tanto de esquerda quanto de direita. Mas nenhum líder jogou nele mais do que Bolsonaro & # 8221; diz o cientista político Guilherme Casarões, professor do think tank Fundação Getulio Vargas. & # 8220; A doação de cloroquina parece ser boa para os EUA de duas maneiras – fortalece seu poder brando em relação ao governo brasileiro e permite descartar um produto contra o qual as agências de saúde dos EUA desaconselharam, # 8221; ele adiciona.


Temos uma grande oportunidade pela frente, mas o Brasil aproveitará?

Somente em casos muito raros o Brasil está em uma situação em que pode usar conflitos entre superpotências para tirar o melhor proveito de todos.

Um caso de livro didático ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando Getúlio Vargas, então presidente flertou com os poderes dos Aliados e do Eixo até o último segundo. Na década de 1930, o Brasil havia melhorado as relações com a Alemanha nazista, que se tornou o sexto maior parceiro comercial do país até o final da década. Em termos ideológicos, pode-se até dizer que Vargas tinha mais em comum com Adolf Hitler e Benito Mussolini do que com democracias liberais.

Tanto o Eixo quanto os Estados Unidos estavam determinados a estabelecer bases militares na costa nordeste do Brasil – um local estratégico para a Guerra do Atlântico. & # 8220; E um pragmático Getulio Vargas usou a alavanca para tirar o melhor proveito de cada página. No final, os americanos tiveram uma oferta melhor que ajudou a renovar as forças armadas brasileiras, a construir uma indústria siderúrgica nacional e a implementar acordos de cooperação econômica. & # 8221; explica o cientista político Mauricio Santoro, professor de relações internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Agora o Cunha entre Estados Unidos e China poderia ser a oportunidade perfeita para o Brasil dar um passo semelhante, pois a economia local deve desacelerar nos próximos meses – e o investimento estrangeiro será mais valioso do que nunca. & # 8220; No entanto, Bolsonaro se comprometeu com o alinhamento automático com os Estados Unidos, e muitos membros de sua família – e o governo – expressaram um sentimento anti-chinês. & # 8221; diz o Sr. Santoro.


Os riscos para o Brasil

Durante décadas, a diplomacia chinesa se restringiu. Sob Deng Xiaoping, a estratégia declarada do país era ocultar suas capacidades e aguardar seu tempo. O Politburo foi tão sutil e indireto que o ex-secretário de Estado Henry Kissinger escreveu que a diplomacia de Pequim em Washington estava acima de nossas cabeças.

Esse tom mudou com Xi Jinping, que quer que a China desempenhe um papel mais importante na política mundial. E, à medida que aumentam as críticas ao tratamento da pandemia pelo país, Pequim assume um tom cada vez mais severo. A embaixada chinesa na Índia, por exemplo, descreveu as demandas pela compensação da China pela pandemia como “absurdo ridículo e vistoso”.

& # 8220; Esse novo tipo de diplomacia se tornou no Brasil ainda mais confronto, & # 8221; diz Santoro, cuja pesquisa se concentra nas relações entre o Brasil e a China. Comentários racistas de membros do governo Bolsonaro foram recebidos com fortes mensagens – com Yang Wanming, embaixador chinês em Brasília, que jogou sparring verbal com um dos filhos do presidente e seu ministro da Educação.

Depois que o congressista Eduardo Bolsonaro responsabilizou Pequim pelo vírus da coroa, a conta oficial do Twitter da embaixada interrompeu sua resposta: “Suas palavras são extremamente irresponsáveis ​​e parecem familiares”. Nada mais é do que uma imitação de seus queridos amigos. Ao retornar de Miami, [you] Infelizmente, fomos infectados com um vírus mental que infecta nossa amizade. & # 8221;

A falta de diálogo com Pequim traz muitos riscos, alerta Santoro. & # 8220; Se o governo chinês não vê traços de negociações com Brasília, pode ir diretamente à administração do estado para fazer negócios. E isso pode ser catastrófico. Estados estão em um crise financeira ruim e tem pouca ou nenhuma estrutura para ficar no topo de uma mesa de negociações. Esse é um risco imenso para os negócios draconianos. & # 8221;

A diplomacia do coronavírus já deu alguns exemplos dessa evasão do governo federal. O governo do estado do Maranhão já havia realizado uma brilhante operação em abril 107 ventiladores e 200.000 máscaras da China. Para evitar bloqueios ou confiscar o material pelo governo brasileiro, o estado enviou o equipamento para a Etiópia antes de enviá-lo diretamente para o Maranhão.

Para piorar a situação, a pandemia colocou os governadores em choque com o presidente Jair Bolsonaro. Isso poderia criar um ambiente no qual a ajuda médica de hoje – embora indiretamente – seja usada para distorcer os governadores. Armas em negociações sobre questões como a privatização de empresas de infraestrutura estatais ou questões relacionadas à tecnologia 5G.

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