Afinal, o Brasil não é a Suécia

O presidente Jair Bolsonaro era um defensor inflexível do que ele chama de “isolamento social vertical”, ou seja, restrições de movimento que se aplicam apenas às chamadas populações de alto risco, como idosos, pessoas com condições pré-existentes ou problemas auto-imunes. Para apoiar seu argumento, Bolsonaro sempre citou a Suécia como um excelente exemplo de como um país pode negociar seu caminho através da crise do Covid 19 sem impor restrições.

O modelo sueco é baseado em responsabilidade pessoal e incentiva os cidadãos a ficar em casa quando estão doentes e a manter distância social em público – a única limitação é a reunião de mais de 50 pessoas. A maioria das lojas, bares e escolas ainda estão abertas.

O que Bolsonaro não menciona é que a Suécia tinha muito mais casos Covid-19 por milhão de pessoas do que países vizinhos onde o bloqueio precoce foi introduzido. Além disso, números do Our World In Data, uma publicação de pesquisa on-line da Universidade de Oxford, mostraram que a Suécia teve as maiores mortes per capita por coronavírus na Europa nos sete dias de 12 a 19 de maio.

Brasil e Suécia: diferenças se aplicam

Nem mesmo as autoridades suecas – que elogiam sua abordagem – estão defendendo que seu modelo seja replicado em todo o mundo. O epidemiologista sueco Anders Tegnell, rosto público da controversa abordagem do país para combater a pandemia de coronavírus, disse que não seguiria a mesma estratégia no Brasil. “Você precisa ter uma estratégia que leve em consideração a população local e os problemas de saúde pública”, disse ele à BBC.

Afinal, o Brasil não é a SuéciaAfinal, o Brasil não é a Suécia

O Brasil tem uma área e uma população 20 vezes maiores que a da Suécia. Enquanto o país escandinavo tem um dos mais altos índices de desenvolvimento humano do mundo, o IDH brasileiro ocupa o 75º lugar no mundo.

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