A triste trajetória de Vincent Van Gogh

Na região do Brabante holandês, em Groot Zundert, a 30 de março de 1853, nasce Vincent Willem van Gogh, pintor pós impressionista, um dos grandes nomes da pintura mundial. Seu nome foi herdado de seu irmão primogênito natimorto um ano antes e seu avô também possuíra o mesmo nome, hábito comum na época. O pai, Theodore van Gogh, era pastor calvinista, sua mãe chamava-se Anna-Cornelia Carbentus, mulher atormentada pela perda do primeiro filho e tinha dificuldades em aceitar Vicente van Gogh, o pintor, seu segundo filho que sobreviveu. Vincent era o mais velho de seis irmãos.

Pouco sociável, gênio arredio gostava de vagar pelos campos, demonstrando amor à natureza. Nenhum irmão, a não ser Theo, quatro anos mais moço, consegue fazer-lhe companhia em suas solitárias incursões ecológicas. Este relacionamento fraterno será permanente por toda sua curta vida, sensibilizando a aqueles que, porventura, tiverem as mãos às cartas de Vincent a Theo. Theo o ajudava inclusive financeiramente.

A triste trajetória de Vincent Van GoghA triste trajetória de Vincent Van Gogh

Teve algumas frustrações, religioso, queria ser pastor, porém foi reprovado no Seminário Teológico da Universidade de Amsterdã, consegue lugar de pregador missionário nas minas de carvão de Borinage, Bélgica onde foi expulso em pouco tempo.

Em vida sofreu muitas decepções com amigos e amorosas, agravando ainda mais seu sentimento de abandono que o acompanhava desde a infância. Um fato curioso é que ele se sentia atraído por viúvas ou mulheres abandonadas. Inclusive teve um relacionamento com uma prostituta chamada Clasina Maria Hoornik a qual chamava de Christine, ela era alcoólatra, tinha filhos e sofria de DST. Foi retratada várias vezes por Vicent.

O perturbado pintor, teve diversas crises nervosas, chegando a cortar a própria orelha após uma discussão com Paul Gaugin por causa de uma mulher, entregando a ela sua orelha cortada. Foi internado para tratamento psiquiatra algumas vezes. Mas após o casamento do irmão Theo, sentiu-se mais solitário do que nunca e um peso para este, que tanto o ajudara de todas as formas possíveis.

Pinta seu último quadro, o trigo está dourado, o céu totalmente azul, corvos pretos grasnam, fugindo em revoada. No dia 27 de julho de 1890 sai para o campo de trigo com um revólver e atira contra o próprio peito, no entanto não morre instantaneamente prolongando seu sofrimento. Morre dia 29 aos 37 anos de idade, nos braços do irmão Theo dizendo: “A miséria não tem fim”.

Por ter atentado contra a própria vida, perdeu o direito de ser velado e enterrado nas dependências da Igreja local, e durante o enterro seu caixão foi coberto com flores preferidas: girassóis. Aliás, a tela “Os Girassóis” é uma das obras-primas de Van Gogh. Sua produção inclui retratos, autorretratos, paisagens e naturezas-mortas de ciprestes, campos de trigo e girassóis. Desenhava desde a infância, mas deu início às atividades de pintura somente ao fim dos seus vinte anos. Muitos de seus trabalhos mais conhecidos foram finalizados durante os dois últimos anos de vida. Em pouco mais de uma década, produziu mais de 900 obras de arte.

A genialidade de Vincent Van Gogh somente foi reconhecida após a sua morte. Em vida, o artista holandês, que passou fome e frio, viveu em barracos e conheceu a miséria, vendeu apenas uma pintura, “O Vinhedo Vermelho”. Em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, “O Retrato de Dr. Gachet”, pintado um século antes, justamente no ano de sua morte, foi comercializado por US$ 82,5 milhões.

Algumas obras de Vicent van Gogh

Opção em vídeo

Ou imagens

Noite Estrelada

Noite Estrelada Sobre o Rhone

Cesta de maçãs

Cesta de Batatas

Paisagem de Outono 1885

A Ponte Langlois em Arles 1888

Um par de sapatos 1887

Irises

Os tosquiadores

A Pastora

O Fumante

O Semeador

A fiandeira

Tigela de barro e pêras

Natureza morta com Bíblia

Garrafas e faiança

Tamancos e Potes

Decanter e limões em uma Placa

Garrafas e Tamancos

Natureza-Morta com Cinco Garrafas

Natureza morta com uvas

Natureza morta com três pássaros ninhos

Natureza morta com dois potes e duas abóboras

Bacia com Margaridas

Vaso japonês com Rosas e anêmonas

Retrato de um homem velho com barba

Retrato do Doutor Gachet

Retrato de Milliet , segundo tenente da zuavos

Retrato de Escalier paciência; Shepherd na Provence

Retrato de Père Tanguy

Retrato do negociante de arte de Alexander Reid

Autorretrato com chapéu de feltro escuro na armação

Auto-Retrato com Cachimbo

Auto-Retrato com Chapéu de Palha

Auto-Retrato

Memória do Jardim em Etten

Montmartre: Pedreira, a Mills

Paisagem montanhosa Atrás Hospital Saint -Paul

O Café Night no Place Lamartine em Arles

Meio-dia: descanso do trabalho

Old Man in Sorrow ( No Limiar da Eternidade )

A Torre da Igreja Velha em Nuenen

Torre da Igreja Velha em Nuenen

A Torre Velha , em Campos

Olival

Retrato da Paciência Escalier

Quintais de casas antigas em Antuérpia na Neve

O De Ruijterkade em Amsterdam

Acampamento de ciganos com caravanas

O Moinho velho

Vista de Arles, Pomar em Flor, por Vincent van Gogh

A obra L’Allée des Alyscamps, de Vincent Van Gogh.

Oliveiras com Sol

Os comedores de batatas

Os Girassóis

Vincent van Gogh em auto-retrato de 1889,

após a lesão na orelha.

Quarto em Arles

O Semeador

O vinhedo vermelho.

Essa pintura foi feita em novembro de 1888, em Arles,

único quadro vendido em vida

Os corvos, uma das últimas pinturas de Vincent, costuma ser associada ao seu suicídio.

“Um pássaro na gaiola durante a primavera sabe muito bem que existe algo em que ele pode ser bom,
sente muito bem que há algo a fazer, mas não pode fazê-lo. O que será?
Ele não lembra muito bem.
Tem então vagas lembranças e diz para si mesmo:
“Os outros fazem seus ninhos, têm seus filhotes e criam a ninhada”,
e então bate com a cabeça nas grades da gaiola.
E a gaiola continua ali, e o pássaro fica louco de dor.
Vejam que vagabundo’, diz um outro pássaro que passa,
‘esse aí é um tipo de aposentado’.
No entanto, o prisioneiro vive, e não morre, nada exteriormente revela o que se passa em seu íntimo,
ele está bem, está mais ou menos feliz sob os raios do sol.
Mas vem a época da migração.
Acesso de melancolia – ‘mas’ dizem as crianças que o criam na gaiola, ‘afinal ele tem tudo o que precisa’.
E ele olha lá fora o céu cheio, carregado de tempestade, e sente em si a revolta contra a fatalidade.
‘Estou preso, estou preso e não me falta nada, imbecis.
Tenho tudo o que preciso.
Ah! por bondade, liberdade! ser um pássaro como outros.”

Trecho de uma das cartas de Vicent van Gogh ao seu irmão Theo

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