A pandemia revela a “desigualdade digital” do acesso brasileiro à internet

Em 2000, menos de 3% dos brasileiros tinham acesso à Internet. Dezenove anos depois, esse número aumentou para 74%, de acordo com o Centro Regional de Estudos da Sociedade da Informação (Cetic). Isso coloca o Brasil bem à frente dos países em desenvolvimento (47%) e da média global (53,6%). No entanto, o acesso à Internet não é democrático – a cobertura e a qualidade variam amplamente de região para região.

Mas quando a pandemia Covid-19 forçou muitos brasileiros a ficar sob custódia – e trabalhar remotamente – uma nova forma de “desigualdade digital” tornou-se aparente.

& # 8220; No norte, regiões inteiras dependem de conexões via satélite ou conexões móveis 3G e 4G. No sudeste, no entanto, a internet por fibra óptica é generalizada. Isso já separa essas duas regiões no que diz respeito à velocidade, qualidade e estabilidade das conexões. & # 8221; afirma Fábio Storino, que coordena um dos mais completos e prestigiados levantamentos de tecnologia do Brasil, a TIC Domicílios.

Um exemplo dessa desigualdade é a família de Thamyres Talyne Oliveira da Silva, 22, da pequena cidade de Itaguatins. Sua mãe paga R $ 90 ($ 16,50) por 10 megabytes de dados por mês – mas eles nunca tiveram a chance de tirar o máximo proveito de seu plano. Eles recebem no máximo metade do que pagam. & # 8220; Quando chove, fica um desafio ficar online. E quando tentamos reclamar, sempre obtemos a mesma resposta – & # 8216; Nossos engenheiros realizam trabalhos de manutenção em sua região. & # 8217; Bem, este & # 8216; Manutenção & # 8217; já se arrasta há quase dois anos & # 8221; Dona Silva conta O relatório brasileiro.

A pandemia revela a “desigualdade digital” do acesso brasileiro à internet
A pandemia revela a “desigualdade digital” do acesso brasileiro à internet

O poder de compra desempenha um papel importante no acesso à Internet. Na estrutura de classes socioeconômicas do Brasil, que varia da classe A afluente à Classe E empobrecida, 99% das casas da Classe A estão conectadas à Internet. essa taxa cai para 43 por cento para a classe E.

& # 8220; Temos feito nossa pesquisa nos últimos 15 anos. E embora tenhamos visto um desenvolvimento incrível no Brasil, ainda descobrimos que os cidadãos mais pobres não fazem parte dele. Pelo menos não da mesma forma que as populações mais ricas & # 8221; O Sr. Storino explica.

Desigualdade na Internet: Smartphones para o resgate?

A desigualdade no acesso à Internet seria muito maior no Brasil se não existissem smartphones. Dos 74% dos brasileiros com acesso à Internet, 58% acessam a internet exclusivamente pelo celular. & # 8220; Desde 2015, os smartphones são o principal dispositivo que os brasileiros usam para se conectar à Internet. Essa taxa salta para 80-85 por cento entre usuários de baixa renda, & # 8221; O Sr. Storino explica.

Numa época em que a maioria das escolas fecha, essa desigualdade se torna ainda mais prejudicial para os alunos de baixa renda. Afinal, aprender conteúdo remoto na tela de um smartphone com uma conexão inferior é uma experiência muito diferente do que consumir o mesmo material em um computador desktop com internet de alta velocidade.

Durante a pandemia, houve várias iniciativas no Brasil com o objetivo de fornecer acesso de alta qualidade à Internet para alunos de escolas públicas. Em muitos estados, as aulas não retornarão até março de 2021 e existe uma grande preocupação de que as habilidades sejam perdidas nesse meio tempo.

O Ministério da Educação iniciou um procuração pública Processo de R $ 24 milhões (US $ 4,3 bilhões) para distribuição de cartões SIM contendo pacotes de dados de internet móvel para 400 mil alunos de universidades públicas e cursos de certificação profissional.

Nossa, uma rede de ativistas de iniciativas educacionais, lançou uma campanha de crowdfunding para criar conexões 4G para escolas de baixa renda durante a pandemia. A meta deles era 100.000 BRL (18.200 USD) para o & # 8220; 4G para estudos & # 8221; Projeto – mas conseguiram arrecadar seis vezes esse valor. & # 8220; Apoiamos 31 cursos preparatórios para universidades de dez estados – & nbsp; e garantiu que 4.600 alunos tenham acesso à Internet por pelo menos três meses. & # 8221; diz Daniela Orofino, uma estudante de 27 anos com mestrado em ciência da informação que conduziu o projeto.

& # 8220; A pandemia não melhorou a desigualdade na Internet – apenas a tornou visível & # 8221; diz a Sra. Orofino.

Além da iniciativa privada, pelo menos dois projetos de lei tramitam no Senado para ajudar grupos populacionais vulneráveis ​​a garantir o acesso à Internet.

Os especialistas acreditam que a tecnologia 5G ajudaria a preencher essas lacunas. Ou seja, dependendo de como é regulamentado. No entanto, o Brasil ainda está atrasado nessa questão, já que os leilões públicos de frequências 5G, que agora estão programados para ocorrer no início de 2021, são repetidamente adiados.

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