A música está em processo de evolução ou banalização?

O cenário musical vem mudando bastante com o passar dos anos. Novos ritmos e estilos vem surgindo, apostando cada vez mais na tecnologia de efeitos digitais, com a finalidade de conquistar o gosto do público em geral. Sertanejo Universitário, Funk, Pop, Punk, Rap, Rock, estão entre os novos ritmos que agradam a geração atual. O conteúdo das músicas em si, também mudou bastante e atualmente, aqui no Brasil e em outros lugares do mundo, muitos tem apostado em letras voltadas para ostentação, festas, bebidas, sexo e dinheiro.

Será que a música está em processo de evolução, ou banalização? Bem-vindos ao “Mano Brow”!

O nascimento da música

A música existe e sempre existiu como produção cultural, pois de acordo com estudos científicos, desde que o ser humano começou a se organizar em tribos primitivas pela África, a música era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. Acredita-se que a música tenha surgido há 50.000 anos, onde as primeiras manifestações musicais tenham sido feitas no continente africano, expandindo-se pelo mundo com o dispersar da raça humana pelo planeta. A música, ao ser produzida ou reproduzida, é influenciada diretamente pela organização sociocultural e econômica local, contando ainda com as características climáticas e o acesso tecnológico que envolvem toda a relação com a linguagem musical. Possui também a capacidade estética de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou nação e é uma linguagem local e global.

A música na América

A música em todo o continente Americano, tem muitas características semelhantes, pois em suas origens estão as misturas culturais e étnicas típicas do “novo mundo”. Podemos citar o Blues como um dos primeiros gêneros. Com forte influência africana, o blues é como se fosse uma espécie de matriz de toda música que daí se derivou, como o jazz, o folk, o country, o gospel, o funk e o rock`n`roll. Tendo suas origens na África, o Blues se desenvolveu nos campos de algodão do sul dos Estados Unidos, onde afro americanos cantavam a saudade, a dor e a sublimação dessas angustias, através de seus toques e de seu canto carregado de fortes sentimentos.

A música está em processo de evolução ou banalização?A música está em processo de evolução ou banalização?

A música no Brasil e a influência do Rock norte-americano em nossa cultura

Os Beatles e o Elvis Presley fizeram muito sucesso no Brasil. Depois disso começaram a surgir vários cantores, cantoras e grupos de Rock no Brasil que cantavam versões (ou traduções) das músicas de sucesso nos EUA. O primeiro grande sucesso nacional foi gravado por Celly Campelo em 1950. Dentre as músicas mais conhecidas nessa primeira fase do Rock no Brasil estão: “Estúpido Cupido”, Biquini de Bolinha Amarelinha, e Banho de Lua. Pouco depois (nos anos 60), cantores como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléia e fizeram o maior sucesso no Brasil no movimento que ficou conhecido como “Jovem Guarda”.

Jovem Guarda

Roberto Carlos começou como cantor de Rock e, junto com seus amigos Erasmo Carlos e Wanderléa começaram um movimento de juventude denominado Jovem Guarda. Eles faziam um programa de TV onde se tocava o Rock´n´Roll brasileiro da época e iam bandas como Golden Boys, Os Incríveis, Renato e seus Bluecaps, The Fevers, além de cantores como Eduardo Araújo, Ronnie Von e Jerry Adriani. A jovem Guarda fez um tremendo sucesso com o ritmo do iê iê iê e eles usavam umas gírias engraçadas como “mora” (entendeu?), broto (menina).

Os anos 60 e 70 foram marcados pelos grandes Festivais da Canção e o Rock estava representado por Rita Lee e os Mutantes, e outros grupos como “Secos e Molhados” do cantor Ney Matogrosso, o movimento Tropicalista de Caetano e Gil, e Raul Seixas.

Já nos anos 80 ficaram marcados por um grande movimento de bandas de Rock Nacional que viraram febre em todo o país. O RPM, Titãs, o Ultraje a Rigor e o Ira de São Paulo, Legião Urbana, a Plebe Rude e Capital Inicial de Brasília, os Paralamas do Sucesso e Kid Abelha do Rio, os Engenheiros do Havaí de Porto Alegre, e muitas outras bandas tomaram o Brasil, tornando-se a principal música ouvida entre os jovens dos anos 80.

Sertanejo/Country

A música sertaneja tem forte influência do ritmo “Country americano”. Esse estilo de música influenciou muitos artistas da música sertaneja do Brasil, que antes tocavam canções que refletiam a vida no campo no interior do Brasil. Duplas como Chitãzinho e Xororó, Leandro e Leonardo, mudaram seu estilo nos anos 80 e fizeram muito sucesso com esse novo tipo de “sertanejo” com influência direta do country norte americano.

Nos últimos anos surgiu o “Sertanejo Universitário” com muitas duplas que misturam a música sertaneja com outros estilos como o Rock, o Baião, o Xote, o Axé, criando assim esse novo estilo, com suas letras bem simples que geralmente no Refrão usam sílabas fáceis de cantar (como Tchê tchê re rê, bararabá, tchu tchu tchu). A temática das letras normalmente falam de “baladas”, de carros ou de bebidas. O sertanejo universitário atrai os jovens pelo seu ritmo dançante e por seus Refrões que “grudam” na cabeça.

Funk

O funk surgiu como uma “mescla” entre os estilos R&B, jazz e soul. No início, o estilo era considerado indecente, pois a palavra “funk” tinha conotações sexuais na língua inglesa. O funk acabou incorporando a característica, tem uma música com um ritmo mais lento e dançante, sexy, solto, com frases repetidas.

A década de 80 serviu para “quebrar” o funk tradicional e transformá-lo em vários outros subgêneros, de acordo com o gosto do ouvinte, já que a música nesse período era extremamente comercial. Seus derivados rap, hip-hop e break ganhavam uma força gigantesca nos EUA através de bandas como Sugarhill Gang e Soulsonic Force.

O derivado do funk mais presente no Brasil é o funk carioca. Na verdade, essa alteração surgiu nos anos 80 e foi influenciada por um novo ritmo originário da Flórida, o Miami Bass, que dispunha de músicas erotizadas e batidas mais rápidas. Depois de 1989, os bailes funk começaram a atrair muitas pessoas. Inicialmente as letras falavam sobre drogas, armas e a vida nas favelas, posteriormente a temática principal do funk veio a ser a erótica, com letras de conotação sexual e de duplo sentido.

Recentemente, surgiu o “Funk ostentação”, que explodiu em São Paulo e consequentemente no Brasil inteiro. As letras falam em dinheiro, carros de luxo, bebidas e mulheres.

Fonte:

http://brasilescola.uol.com.br/artes/

http://anacruse.com.br/

http://www.infoescola.com/musica/

O “misturão” atual de ritmos

Atualmente, presenciamos uma verdadeira mistura de ritmos na música mundial. Aqui no Brasil, temos o exemplo mais vivo, com os atuais cantores sertanejos que andam se aventurando pelo Pop, Forró e Funk. A cantora Anitta também resolveu misturar ritmos, começou cantando funk e agora se aproximou do pop, se baseando em algumas cantoras norte-americanas.

Deu pra perceber bem a mudança de ritmos que a música viveu com o passar dos anos, e a pergunta que não quer calar é a seguinte:

A música está em evolução ou banalização?

Vamos debater esse assunto a partir de agora.

Sobre esse tema, penso o seguinte:

Acredito que a música está em um processo de banalização, principalmente aqui no Brasil. Letras cada vez mais “lixosas”, que causam ânsia de vômito e não passam nenhuma mensagem boa. Grande parte das pessoas que ouvem essas musicas não estão preocupadas com a letra que estão ouvindo, mas sim com o ritmo dançante. Funk, sertanejo universitário e o conhecido forró de “plástico”, na minha opinião, estão entre os ritmos que mais se encaixam na decadência musical. Ainda existem boas músicas, mas infelizmente não são valorizadas e nem fazem o sucesso que deveriam fazer. Essa é uma opinião minha, mas cada um tem seu gosto musical individual.

Qual a sua opinião, Davi?

A música vem em processo de decadência e banalização. Não se fazem mais músicas como antigamente. Hoje, não passam de um produto comercial a ser disseminado. A mídia está com uma influência muito grande sobre a nossa música, e vem alienando as pessoas a aceitarem o que ela oferece. Letras sem nenhum sentido, frases repetitivas, sem criatividade, sem harmonia, sem emoção… Houve um empobrecimento cultural. Antigamente, preocupavam-se com a mensagem a ser passada. Simplificando, as músicas eram feitas para ser ouvidas, hoje; vendidas. É claro que ainda existe música boa, mas estão cada vez mais escassas.

Confronto de Opiniões

Contamos com a participação de dois excelentes comentaristas que entendem bastante de música. Magnus e Ricardo vão expor o que pensam a respeito do assunto tratado nesta edição, para que no final você leitor decida, por meio de enquete, quem mais convenceu.

Agradeço a participação de ambos!

A pergunta é a seguinte:

Para você, a música está em processo de evolução ou banalização?

Tenho quase certeza que não evoluiu. Se compararmos boa parte das composições mais atuais com as mais antigas, é notável que a expressividade não é a mesma. Se os artistas de antes pareciam levar a música mais a sério e davam a alma para escrever um sucesso, hoje não é bem assim. Hoje temos mais composições sem sentidos, com melodias pobres do que antes. Baseado nisso, é mais provável que tenha se desviado mesmo um pouco de sua essência.

Essa é uma pergunta complicada, pois a música não é algo tão objetivo assim para ser analisada, ela de um jeito ou de outro é subjetiva no modo com que a pessoa cresceu ouvindo a diferentes tipos de música. Falar de uma canção ou música isolada é quase impossível, pois temos que ver os elementos que a formam. O instrumental, ritmo, letra, produção em geral. No quesito letra, eu acho que músicas mais ousadas, com conteúdo explícito estão ganhando cada vez mais espaço, mas pensa errado quem acha que é só isso que vende, na realidade, os álbuns considerados mais “limpos/clean”, sem letras tão ousadas, são os que mais venderam no último ano, internacionalmente. Na área da letra, eu não diria que está acontecendo uma banalização, o que acontece é que músicas com temas diferentes estão ganhando mais espaço. Nem toda música precisa ser crítica ou tão profunda assim, música também é entretenimento, para diversão, dançar, etc. Na questão do instrumental e da produção, com certeza eu diria que há sim uma evolução. Cada vez mais se criam aparelhos e se tem uma produção melhor nas músicas, do que o antigo “acústico de garagem”. Aliás, a questão de uma música ser “boa” ou “ruim” varia muito de geração para geração, então fica mais difícil ainda julgar. É melhor deixar para cada um julgar o que acha bom ou ruim.

Enquete

Deixamos claro que as opiniões aqui expressas são de cunho pessoal, que respeitamos, mas que não refletem necessariamente a opinião do Site Recreio.

Cada cidadão tem uma visão de mundo diferente e devemos respeitar, mesmo não concordando.

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