Os homens que não amavam as mulheres

Recentemente, na prateleira de uma biblioteca, um livro veio a chamar a minha atenção  (um dragão impresso em sua capa, mas não foi por isso). O título sugeria uma forte crítica social, um amontoado de palavras compilados em mais de 500 páginas que originariam um impressionante manual feminista ou coisa do tipo. Tudo, menos uma leitura prazerosa e agradável.

“Não se avalia um livro pela capa”. Foi a lembrança desse famoso provérbio que me compeliu a experimentar pelo menos as primeiras páginas. E a experiência que tive, assim que li os dois primeiros capítulos, viriam, de fato, a confirmar o supramencionado ditado popular. Tanto que agora contarei um pouco sobre o que achei de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”.

Só um pouco, para não correr o risco de fazer muitas revelações ( spoilers costumam ser imperdoáveis para quem planeja ler uma obra pela primeira vez).

A abertura traz a história de um homem, de cujo nome viria a ser revelado mais tarde, que há quase 40 anos recebia uma flor no dia do seu aniversário. E aqui já se nota um ponto interessante, pois o livro esclarece que a história não será apenas uma coisa extremamente maçante e impossível de se ler ou um mero manual do feminismo, como a princípio pensei. No capítulo seguinte ele já adquire uma característica novelesca, no qual o protagonista Mikael Blomkvist viria a ser vítima de uma conspiração orquestrada pelo magnata HansErik Wennerström. É nesse ponto que se torna realmente interessante, já dá vontade de ler o livro todinho, (rs.).

O livro é facilmente um dos melhores que já li (devo salientar que não sou lá um leitor muito assíduo). Há, entretanto, algumas razões que – despropositadas ou não – impediram que o livro fosse perfeito (opinião, claro). É óbvio que eu não esperava um conto infantil, mas, entendam: a primeira vez que li (tentei ler, na verdade) um livro que continha palavrão foi há menos de um ano, resultado: desisti nas primeiras páginas, porque não estava acostumado com uma leitura assim. Para mim, os livros deveriam ser todos bonitinhos e castiços, sem nenhuma aspereza no vocabulário (risos, espero não parecer chato).Depois desta, houve outra ocasião em que tentei ler outro livro, e o excesso de palavrões neste me fizeram deixa-lo de lado. São meros detalhes pode fazer com que, para quem não está acostumado, acabam tornando a leitura um pouco menos agradável, mais densa, acabam subtraindo um pouco a beleza e a magia da leitura e fazem com que alguns nós usufruamos menos da história. Quando surgiu o primeiro eu comecei logo a torcer: “tomara que seja só esse, tomara que ele (Stieg Larsson) não seja um Stephen King da vida”, (risos).

Mas preciso dizer não foi só isso. Para que não digam que estou fazendo tempestade em copo d’água, vou me demorar um pouquinho mais para tentar explicar porque atribuo um 8.4 ao livro do sueco e não um 9.0, como achava que seria até chegar ao capítulo 11.

Chega em um ponto que a história mostra o porquê do título. O autor pretendia fazer uma crítica social e isso fica claro mesmo antes de abri-lo, no entanto,  os capítulo iniciais me fizeram crer que isso seria feito de uma forma bem mais branda e sutil, e que sequer teria alguma “cena picante”, digamos assim, (não, não chega a ser uma “Verdades Secretas”, acho). Pois é, me convenci de que o autor poderia suavizar algumas passagens e, ao mesmo tempo, dar o seu recado, se ele assim quisesse. Fui meio que surpreendido umas três vezes: no início, no meio e na reta final da história.

É bem verdade que eu poderia ter simplesmente desistido de ler… e isso seria fácil se eu já não estivesse preso pela história central (e acho que, já sabendo disso, o Stieg fez de propósito), se eu não quisesse saber se o Wennerström iria se dar mal no final ou se Mikael Blomkvist iria superar suas limitações e descobrir quem matou Harriet Vanger.

Na reta final a história se revelou incrivelmente forte, muito além do que eu poderia imaginar até. O autor descreve passagens que, confesso, preferiria que não estivessem ali e que acho que não fariam a menor falta.

E eu me pergunto novamente: “será que ele não poderia dar um pouco mais de leveza a tudo?” ou se todas aquelas expressões obscenas seriam mesmo necessárias, tudo bem que a protagonista possui um perfil rude, forte; mas… será que não poderia..? Talvez sim, talvez não.

Mas se você não se importa com tudo isso que listei, provavelmente irá gostar do livro mais do que eu e já pode ir adicionando ele à lista para as próximas férias. “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” é escrito pelo sueco Stieg Larsson, já virou  filme e tem pouco mais de 500 páginas excitantes que prendem da primeira até a última.


 

Importante: A partir de uma breve pesquisa que fiz mais tarde, consegui compreender um pouco os motivos dele ter sido tão duro ao elaborar o núcleo da personagem Lisbeth Salander: Stieg Nunca se perdoou por testemunhar o estupro de uma garota quando ele tinha 15 anos e não ter ajudado a garota.