Guimarães Rosa: Escritor mineiro que inovou a literatura brasileira com uma linguagem popular.


“Quando escrevo, repito o que já vivi antes.
E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente.
Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo
vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser
um crocodilo porque amo os grandes rios,
pois são profundos como a alma de um homem.
Na superfície são muito vivazes e claros,
mas nas profundezas são tranquilos e escuros
como o sofrimento dos homens.”

 

O mineiro João Guimarães Rosa (Cordisburgo – MG, 27 de junho de 1908 — Rio de Janeiro – RJ, 19 de novembro de 1967) foi um escritor, diplomata, novelista, contista e médico brasileiro, considerado um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos sendo um dos principais representantes do regionalismo brasileiro, característica da terceira fase do modernismo. Inovou a literatura com uma linguagem popular destacando a vida no sertão nos seus escritos tendo destaque seu livro  “Grande Sertão: Veredas”.

Exercendo sua profissão como médico, conheceu de perto os costumes do povo, a terra e o cotidiano, o que colaborou para transmitir uma linguagem popular em sua obra.. 

Ocupou a cadeira nº 2 na Academia Brasileira de Letras por apenas três dias, faleceu logo em seguida. Chegou a ser indicado para o prêmio Nobel de Literatura, mas morreu no mesmo ano e a sua indicação foi impedida.

Uma das suas peculiaridades foi sua paixão por idiomas, aprendendo francês, Holandês e Alemão.

O escritor tinha uma vida sedentária o que ocasionou complicações que o levaram à morte.

 

Se quiser saber mais sobre o escritor, confira nos seguintes sites:

 ABL
Academia Brasileira de Letras
Wikipedia

 

 

“A gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesma nunca se deve de tolerar ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é.”

Guimarães Rosa

“Olhar para trás após uma longa caminhada pode fazer perder a noção da distância que percorremos, mas se nos detivermos em nossa imagem, quando a iniciamos e ao término, certamente nos lembraremos o quanto nos custou chegar até o ponto final, e hoje temos a impressão de que tudo começou ontem. Não somos os mesmos, mas sabemos mais uns dos outros. E é por esse motivo que dizer adeus se torna complicado! Digamos então que nada se perderá. Pelo menos dentro da gente…”

Guimarães Rosa

 

 

Soneto da saudade

“Quando sentires a saudade retroar 
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!
Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas…
Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos… 
Nem a distância apaga a chama da paixão”

Guimarães Rosa

 

 

“Todo caminho da gente é resvaloso.
Mas também, cair não prejudica demais
A gente levanta, a gente sobe, a gente volta!…
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim:
Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,
Sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria,
E ainda mais alegre no meio da tristeza…”

Guimarães Rosa