Se não conheço o @, sou preconceituosa?

Não generalizando, mas, as pessoas estão cada vez mais distantes uma das outras, mesmo dentro de casa. Cada membro de uma família vive em  seu próprio mundo. Já não somos pessoas, nos tornamos apenas @ s. Diante disto, as redes sociais têm feito parte do cotidiano de muita gente, é um espaço onde encontram informação, fonte de pesquisas, distração, emitem opiniões sobre variados temas, ficando nítida as diferenças de pensamentos, educação, caráter e personalidade. Mas, também acaba virando um campo de guerra onde todas as armas são aceitas, neste caso em forma de palavras e até ações cabíveis de punição ou algo tão banal que você olha e diz: “Não acredito que estão discutindo por isso”.

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Atualmente tudo tem se transformado em polêmica, a  intolerância alcançou patamares tão elevados que você não pode discordar de determinados temas ou serão crucificados nas praças públicas virtuais e até reais. Se você disser que não conhece determinada celebridade como Jair Bolsonaro disse não conhecer  Pablo Vittar, por exemplo, dirão que é homofobia e  preconceito. Um detalhe interessante é que, se perguntar a quem ataca se conhecem Andre Rieu ou Hayley Westenra,  muitos dirão que não… Serão preconceituosos por isso?

Nota: O canal do You Tube do cantor Pablo Vittar foi hackeado por um suposto fã do Bolsonaro, o que resultou no comentário citado. E vamos raciocinar… Se uma pessoa é “fã” ou “ama” alguém, não fará nada que prejudique ou manche a imagem deste alguém. Atitude de pessoa mal caráter que deve ser localizada e punida.

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Se você é branca e usar um turbante, tranças, frisar os cabelos, dirão que é “apropriação cultural”. Se for negra e ousar usar uma chapinha ou fazer uma escova, estará se submetendo a “opressão dos brancos racistas”.  Se chamar uma mulher inteligente de bonita, é machismo, mas compará-las com animais ou simples objetos descartáveis nas músicas e propagandas, é tolerável.  Também é quase uma obrigação ser “emponderada”, se não será considerada uma mulher machista.

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Por que há tanto interesse em promover a segregação ao invés de incentivar o respeito e educação, por exemplo? As pessoas esquecem que, por trás de toda segregação ou supostas lutas por igualdade, há sempre alguém ganhando, seja lucro financeiro ou status. Sendo assim, quanto mais grupos, melhor, combateremos a “Magrofobia”, “Gordofobia”, “Heterofobia”, Veganofobia, Carnívorofobia,… Etcfobia.  Se você não faz parte  das “minorias”, logo é racista, preconceituosa, homofóbica, retrógrada, etc. Ser tradicional virou uma falta grave, caretice, coisa de outro mundo, não tem lugar no planeta dos “evoluídos”.  Segregação sim, respeito não?

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Se a luta fosse por respeito, seria mais abrangente. Entender que respeitando a si e as pessoas, independente de religiões e  ideologias, as conquistas seriam maiores e evitaria muitos conflitos desnecessários. Segregações diminuem  o bem estar do “todo”, que já é algo bem difícil e relativo. Impor uma ideologia não funciona, sempre haverá diferenças uma vez  que  cada ser humano é único e peculiar, vale o respeito que deve ser uma via de mão dupla. Não adianta dizer que combate a intolerância, se não aceita opiniões, posturas contrárias,  promovendo guerras e  disseminando o ódio que “dizem” combater.

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Aceitar as diferenças é inclusive, aceitar e respeitar aqueles que não pensam iguais a você.  Da mesma forma que alguém tem o direito de  opinar/gostar de funk, ser simpatizante de assuntos LGBT, gostar de determinado cantor, outro tem o direito de não gostar/e opinar sem ser discriminado por isso, respeitar é importante. Isso vale para todos os assuntos.  Eu também não conheço o @  e nunca me interessei por Harry Potter, serei  preconceituosa por isso?

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Mas, diante do tédio que assola a todos, parece muito mais cômodo assistir guerras virtuais cheias de adrenalina, que não dão em nada. E como disse, igualdade é pura utopia, ninguém é obrigado a concordar comigo ou com o artigo.

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  • Douglas

    Amei o texto. E sobre isso do Bolsonaro, pode ter parecido um comentário gratuito, “do nada”, mas não foi. É que mais cedo algum retardado havia hackeado o perfil desse Pablo no YouTube e colocado a foto do Bolso. O comentário é meio que um “não tenho nada a ver com isso”.

  • Davi Allen

    O preconceito e a intolerância estão cada dia mais aflorados. Se você não concorda com algo é taxado de x, ou de y. O respeito é uma coisa inexistente e você tem que tomar partido de algo, pertencer a uma legião.