Um assunto proibido

Recentemente os jornais têm dado espaço a existência de um jogo macabro e viral chamado Baleia azul. Foi confundido por alguns pais como um mero aplicativo, um jogo a mais. Mas Baleia azul é um convite, uma indução ao suicídio. Além de estimular a morbidez de algumas crianças e adolescentes naturalmente depressivos e instáveis emocionalmente, o jogo os coage a cumprir todas as tarefas sob pena de perseguirem a pessoa e a família da pessoa na vida real. Assistir a filmes de terror por 24 horas seguidas é um dos cinquenta desafios que o adolescente que aderiu ao grupo precisa executar. Talvez, o desafio mais emblemático mesmo seja o de desenhar com um estilete uma baleia no braço. O desafio final é cometer o suicídio.

O suicídio é um assunto complexo e evitado. Agride, estarrece, silencia. Continua sendo tabu, motivo de vergonha ou de condenação, sinônimo de loucura, covardia,  assunto proibido. Com certeza é muito melhor ler e debater sobre TV, política, moda, BBB, entre outros, mas, as estatísticas mostram que é um assunto sério que não pode ser negligenciado.

Segundo a BBC do Reino Unido, não há dados oficiais que relacionem diretamente as mortes ao game, entretanto, o assunto reacendeu o debate sobre os índices de depressão e suicídio entre jovens. As taxas de suicídio cresceram mais de 60% nos últimos 25 anos. O número cresce ainda mais na faixa etária dos 15 aos 29 anos: são 5,6 mortes a cada 100 mil. “Diariamente, segundo dados oficiais, 32 pessoas põe um fim à vida”, segundo o sociólogo Julio Jacopo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

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Por que as pessoas desistem de viver?

O desespero beira o insuportável. A cada dia, o sofrimento – físico ou emocional – fica mais intenso e viver torna-se um fardo pesado e angustiante. Sua dor parece incomunicável; por mais que você tente expressar a tristeza que sente, ninguém parece escutá-lo ou compreendê-lo. Outrora era uma pessoa que sonhava, sorria, enxergava a vida de forma otimista,  confiava e acreditava sempre no melhor das pessoas. De repente, a vida perde o sentido. O mundo ao seu redor fica insosso. Você sonha com a possibilidade de fechar os olhos, dormir e acordar num mundo totalmente diferente, no qual suas necessidades sejam saciadas e você se sinta outra pessoa. Será que a morte é o passaporte para essa nova vida?

Quem chega a tal extremo, não quer se matar, apenas matar a dor que consome dia após dia, matando aos poucos sonhos, projetos e o corpo físico que já não dorme, não se alimenta de forma adequada, a mente que não para quando a noite silencia. Quando nada mais consegue aliviar o sofrimento incompreendido: família, amigos, religião, textos e livros de autoajuda e afins.

 

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A pergunta que fica é: por que algumas pessoas desistem e outras não?”

Especialistas dizem que: “Por trás do comportamento suicida há uma combinação de fatores biológicos, emocionais, socioculturais, filosóficos e até religiosos que, embaralhados, culminam numa manifestação exacerbada contra si mesmo. Para decifrá-los, os estudiosos recorrem à ‘autópsia psicológica’, um procedimento que tem por finalidade reconstruir a biografia da pessoa falecida por meio de entrevistas e, assim, delinear as características psicossociais que a levaram à morte violenta. Existem causas imediatas predisponentes – como perda do emprego, fracasso amoroso, morte de um ente querido ou falência financeira – que agem como o último empurrão para o suicídio. O fato de estar consciente de que vai efetuar um ato suicida não elimina, no entanto, o estado de confusão mental que o indivíduo experimenta momentos antes da ação. Ele não sabe se quer morrer ou viver, se quer dormir ou ficar acordado, fugir da dor, agredir outra pessoa ou, de fato, encontrar o mundo com o qual fantasia. Afinal, o suicida tem diante de si duas iniciativas complexas e contraditórias a conciliar naquele momento: tirar a vida e morrer. O suicídio ocorreria, então, num instante em que a pessoa se encontra quase fora de si, fragmentada, com os mecanismos de defesa do ego abalados e, por isso, ‘livre’ para atacar a si mesma. Fenômeno complexo, o suicídio configura um assassinato, em que vítima e agressor são a mesma pessoa”.

Existem casos em que o indivíduo demonstra evidente intenção de morrer e alto grau de letalidade, ao optar por um método eficiente. Em outras ocorrências, a vontade de morrer é fraca, apesar de voluntária, e o método escolhido é pouco prejudicial. Ou seja: há casos de suicidas propriamente ditos. E há casos em que a pessoa só está pedindo socorro, implorando para ser resgatada. Claro que há quem não queira enfaticamente a morte, mas, por usar um meio perigoso, acabe sendo bem-sucedido.

E outros, cujo objetivo é mesmo acabar com a própria vida, por desconhecimento da maneira mais efetiva de causar danos graves a si mesmos, acabam sobrevivendo. (Aliás, esses, se não receberem tratamento adequado, são candidatos a uma nova tentativa.)

A angústia existencial do suicida sempre vai fornecer justificativas para a sua morte. Ele sempre poderá enxergar a vida sem sentido ou ver prevalecer em si um sentimento neurótico de desvalia, derrota e de baixa auto-estima. Daí a criação de fantasias em torno da morte.

O suicida está num quadro de embotamento, como se estivesse afogado nas próprias emoções. Ele não aproveita os vínculos sociais para partilhar seus sentimentos e vê o mundo de uma maneira muito própria. O suicídio, então, torna-se um meio de expressão, uma fala que não pôde ser dita. As tentativas de se matar são vistas como um grito por ajuda, sintoma de uma falha tanto no sistema familiar quanto no grupo social. “O indivíduo não consegue pedir socorro de outro modo, então opta por um ato extremo”.

Incapazes de comunicar a própria dor, os suicidas recorrem a algumas fantasias para justificar a si mesmos a autodestruição. A busca de outra vida é uma das mais comuns. O indivíduo enxerga no suicídio a oportunidade de interromper uma existência infeliz e recomeçar, com uma nova chance para acertar. Matar-se também pode ser um jeito de acelerar o reencontro com pessoas queridas já mortas – o pai, a avó, um amigo, o cônjuge. Outras fantasias comuns acerca do suicídio: gesto de vingança ou rebeldia, castigo e autopenitência. “A ideia da não-existência é tão insuportável que a mente humana inevitavelmente recorre às fantasias para levar adiante o projeto de auto-aniquilamento.

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Como identificar uma pessoa que quer se suicidar

Um suicida costuma dar sinais de que pretende tirar a sua própria vida. Na maioria dos casos, ele fala sobre o assunto, manifesta cansaço em relação à vida, procura se despedir de parentes ou se isola de todos.  Comportamentos destrutivos, como consumir álcool ou drogas em excesso, perder o interesse por atividades das quais costumava gostar e demonstrar dificuldades no trabalho ou na escola são outros sinais de que uma pessoa pode tentar o suicídio.

A psicóloga Karen Scavacini, cofundadora do Instituto Vita Alegre de Prevenção e Posvenção do Suicídio, afirma que além dos sinais diretos que a pessoa emite quando tem a intenção de se matar – falar explicitamente que quer morrer, por exemplo – alguns sinais indiretos também podem ser percebidos.

. Alterações significativas na personalidade ou nos hábitos;
. Comportamento ansioso, deprimido ou agitado;
. Queda no rendimento escolar;
. Perda ou ganho repentinos de peso;
. Mudança no padrão de sono;
. Tristeza, irritação e acessos de raiva combinados
. Comentários autodepreciativos ou desesperançosos em relação ao futuro;
. Demonstração clara ou velada do desejo de pôr fim à vida.

 “A pessoa começa a se despedir de parentes e amigos, pode apresentar muita irritabilidade, sentimento de culpa, choros frequentes. Também pode começar a colocar as coisas em ordem e ter uma aparente melhora de um quadro depressivo grave, de uma hora para outra. Muitas vezes, isso significa que já se decidiu pelo suicídio, por isso fica mais tranquila. É a falsa calmaria”, diz. Comportamentos de risco desnecessários podem ser observados nesse período.

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Prevenindo o suicídio

Primeiro ressaltar a importância do diálogo entre a família (se for possível), ou procurar ajuda o que pode evitar o contato com o tipo de jogo mencionado ou inibir quem têm esta tendência. Quem busca por este tipo de jogo, provavelmente é alguém com problemas sérios. Mas o jogo potencializa. Estamos na era dos descartáveis em que nada deve durar, desde o smartphone até nas relações de um modo geral, passando por amizades e profissões o que leva a pessoa dar menos valor a vida dos demais e a própria vida. 

Se você conhece alguém que deu indícios de que pretende se suicidar, o ideal é retirar veneno, medicamentos e armas de fogo do alcance dessa pessoa, além de buscar ajuda. Para quem já tentou o suicídio e passou por tratamento, a probabilidade de viver uma vida normal é alta. Vale destacar que, na maioria dos casos, os pensamentos suicidas desaparecem a partir do momento em que a pessoa encontra novas motivações para continuar viva.

Embora a taxa de cura seja alta, é fundamental estar atento a novas demonstrações suicidas, que podem culminar definitivamente na morte de uma pessoa. Buscar ajuda de entidades de valorização à vida e integrar uma pessoa novamente à vida em sociedade e em família é uma boa maneira de evitar uma nova tentativa de suicídio.

Assim como em outros países, existe no Brasil o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade sem fins lucrativos reconhecida como de Utilidade Pública Federal, que faz atendimento 24 horas por dia pelo disque 141. Seus voluntários são orientados para tentar dissuadir pessoas de pensamentos suicidas e auxiliá-las na busca de novo sentido e vontade de viver.

 

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Por que não cometer suicídio?

Porque apesar de tudo a vida vale à pena, você sempre será importante para algo ou alguém mesmo que as coisas demonstrem o contrário. Já tentou visitar um abrigo, asilo ou ONGs? Haverá sempre quem precise do seu sorriso, da sua ajuda, mesmo que se sinta incapaz de ajudar alguém.

A vida começa ter mais sentido quando aprendemos que não somos o centro do mundo, nem nossos problemas são maiores ou mais importantes que de outros. Talvez um dia seja possível rir de tanta coisa que parece um monstro agora, mas depois se torna apenas uma sombra que se desfaz com a luz.

Nossa vida pode ser comparada com as estações do ano, fases da lua, uma roda gigante, em constante movimento ou com as estradas cheias de altos e baixos. Por isso não se deve tomar uma decisão definitiva. Há um antigo ditado – “o suicídio é uma solução permanente para um problema temporário”.

Por mais escuro que esteja o céu da sua vida hoje, muitas coisas boas ainda podem acontecer e você volte a sorrir de verdade aproveitando o sol da sua existência.

E assim prosseguimos na estrada da vida… Viver é ter a chance de acreditar que, a cada dia podemos fazer mais do que imaginávamos… A cada curva descobrindo novos horizontes, novos sonhos, novas metas, sobretudo descobrindo a alegria de viver e agradecendo a Deus por tudo, sabendo que no fim do túnel ainda existe uma luz e que a esperança nunca deve morrer.

estrada 

“A vida é cheia de altos e baixos, mas o importante é

chegar no final e realizar os nossos sonhos”.

(J.C./S.R)

  • Alexandre

    Estavam falando hoje do Jogo da Baleia Azul não lembro em qual telejornal… Coisa macabra…

  • Anderson

    Bem macabro isso

  • Muito bom o post, infelizmente tem muita gente depressiva atualmente.

  • Douglas

    Ótimo post, bem informativo. Esse jogo é banal, e perigoso.

  • Qual o maior bem que um ser humano pode possuir? EXATO. A vida.
    Saber da existência de jogos desse tipo causa-me um sentimento de tristeza e repulsa difíceis até de explicar. Afinal, se vivemos em uma sociedade onde o maior e mais precioso bem da humanidade começa a se tornar algo banal e, sobretudo, descartável, só podemos concluir que essa sociedade talvez esteja diante do princípio de sua falência…
    As vezes penso que esse mundo devia era é acabar logo.