Os dias eram assim, nova série da Globo.

Em “Os Dias Eram Assim”, nova série da Globo, são mostradas músicas que marcaram a luta de uma geração contra a ditadura militar durante os anos 1970 e 1980. Ídolos como Elis Regina, Chico Buarque, Raul Seixas, Legião Urbana, Secos & Molhados e os Novos Baianos desfilam suas canções pelo programa.

Em 1984, ano que antecedeu o fim da ditadura militar no Brasil, Ivan Lins lançou a música “Aos Nossos Filhos”, conhecida na voz de Elis Regina. Um recado a uma geração que cresceu durante um dos períodos mais tristes da história do país. “Perdoem por tantos perigos/Perdoem a falta de abrigo/Perdoem a falta de amigos/Os dias eram assim”, diz um dos trechos.

A série, ambientada no período da ditadura militar mostra que no período,  uma revolução ocorreu no cenário cultural brasileiro: artistas famintos por liberdade e pela quebra dos mais variados tabus surgiram nas rádios, festivais e shows.

Os grandes expoentes da vanguarda utilizavam as canções, o cinema e o teatro para denunciar os absurdos da ditadura. A música era um elemento de troca de mensagens, de afirmação de valores e de circulação de ideais. Exatamente esses pontos aparecem na trilha sonora de “Os Dias Eram Assim”:

Carlos Araújo, o diretor artístico do programa, decidiu inovar e pediu aos astros principais para cantar “Aos Nossos Filhos”. A música de Ivan Lins, que é tema de abertura de “Os Dias Eram Assim”, ganhou nova versão nas vozes de Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, Renato Góes, Maria Casadevall e Gabriel Leone.

Outra “atualização” feita na trilha sonora é a versão de Tiago Iorc para “Tempo Perdido”, um dos maiores hits da Legião Urbana. O cantor é uma das atrações do Funn Festival, previsto para o Parque da Cidade, entre 3 e 18 de junho.

 

Sobre a série

A história começa em 21 de junho de 1970, dia em que a seleção brasileira conquista o tricampeonato mundial. Alice, uma estudante de Letras à frente de seu tempo, está noiva do advogado Vitor (Daniel de Oliveira), braço direito de seu pai, Arnaldo Sampaio Pereira (Antonio Calloni), dono da construtora Amianto. Trata-se de um homem opressor, que enriqueceu graças à amizade estabelecida com os militares que estavam no poder.

Nessa data, ele recebeu em sua casa um grupo de generais para assistir à partida e celebrar a assinatura de um contrato superfaturado entre sua empresa e o governo.

Repreendida pelo pai por usar um vestido curto e batom vermelho na frente dos generais, Alice sai de casa para esfriar a cabeça e conhece, em um bar, o médico Renato. O encantamento é mútuo e os dois engatam, naquele local, um romance. Que terá dia, hora e motivo para acabar.

“O foco principal da história são os conflitos familiares, com um pano de fundo diferente”, explica Alessandra Poggi. “O que move o vilão, embora sejam suas convicções, é principalmente o desejo de separar a filha daquele rapaz. Os conflitos acabam sendo muito pessoais. A sacada da trama é falar sobre o poder que algumas pessoas tinham para estar entre exceções dentro daquele universo e usar aquilo em favor pessoal.”

Embora a história que irão contar seja um conflito familiar, as autoras deixam evidentes suas opiniões sobre o período em que a trama é ambientada e não temem a rejeição da parcela do público que, nos dias de hoje, clama pelo retorno da intervenção militar. “Talvez essas pessoas que peçam a volta da ditadura não tenham um conhecimento dessa época. Nesta história, a gente parte de um denominador comum, de que a democracia é o melhor para a sociedade. A gente quer a liberdade e vamos falar sobre a importância da liberdade”, pondera Alessandra.

Imersão
Desde 2015, quando iniciaram o argumento de “Os Dias Eram Assim”, as autoras revisitaram os anos 1970 e 1980, e tiveram o apoio do jornalista e filósofo Luiz Carlos Maciel, especialista no período, em suas pesquisas. Embora o que se verá na tela seja uma reprodução dos ambientes e dos costumes da época, a fala das personagens é bastante contemporânea.

“Preferimos não usar tantas gírias da época para não ficar uma fala muito marcada”, explica Alessandra. “Como tem um público jovem que assiste às novelas, optamos por algo menos datado, para as pessoas não se estranharem com a fala e também para não soar como algo caricatural. Tinha uma fala da Alice, por exemplo, que ela dizia: ‘Esse pessoal é muito quadrado’.”

O Luiz Carlos Maciel nos disse que, nessa época, ninguém falava isso. A gíria correta era “careta”. “Esses detalhes a gente procurou não errar, mas não foi uma grande preocupação retratar a linguagem da época”, completa Angela.

No elenco estão atores como Maria Casadevall, Renato Góes, Susana Vieira, Felipe Simas, Antonio Calloni, Antonio Fagundes, Carla Salle, Cássia Kis, Daniel de Oliveira, Gabriel Leone, Julia Dalavia, Letícia Spiller, Marcos Palmeira, Mariana Lima, Maurício Destri, Sophie Charlotte, Caio Blat, Natália do Valle, Alfredo Castro, Cyria Coentro, Barbara Reis, Marco Ricca, Nando Rodrigues, Xande Valois, Bernardo Velasco, Luiz Felipe Melo, Izak Dahora, Matheus Dantas, Pedro Chagas, Pedro Pupak, Manu Pereira, Isabella Koppel, Kiria Malheiros, Konstantinos Sarris, Leticia Braga, Maria Carolina Basilio, Alexandre Colman, entre outros.