O coração sabe que em cada deserto de uma alma, há um oásis escondido.

Uma leve brisa beija-lhe a face
enquanto conta os passos pela estrada.
Somam-se ao os insolúveis suspiros
e as lágrimas que escorrem seguidas.
O traçado é visto num desconforme
iluminado pelo cair da alvorada.
E os passos tão calmos não trazem
motivos para idas ou vindas.

Uma dor carregada perfura-lhe o peito
como espada suja e afiada.
Arrastando-lhe à lembrança mal enterrada,
submersa e aparente.
Já não sabe do que são feitas essas horas.
Já não sabe de mais nada.
Caminha sem percepções ao som
de um melódico ritmo descrente.

Rutilam pensamentos que se seguem
pela rota estabelecida.
Uma rota sem sentido,
guiada apenas pela vontade infinita de amar.
E mesmo sem saber, um exausto coração no peito,
faz ainda ter-lhe vida.
Cai à noite, e no céu, além de uma lua,
vê que há estrelas. Ainda há.

O coração sabe que em cada deserto de uma alma,
há um oásis escondido.
Existe uma breve esperança,
pois essa dor de agora é como um lago raso.
Que apesar de parecer profundo
apenas engana aquele que tem sofrido.
E sofrer é parte disso tudo.
Viver já não é meramente um infundo acaso.

O que sustenta é justamente tudo o que se vive:
os sopros de esperanças.
E quando do silêncio envolto em trevas,
faz ressurgir o brilho tão esperado.
Sorri ao que aquece e passa a entender
do que são feitas as andanças:
Há em vida sofrimentos,
mas, o amor, jamais se faz de desacreditado.

Todos os sentimentos cansam e “desistem”, menos o amor.
Sentimento algum é tão teimoso!

Até quando passa, não acaba.
Posto de lado, jamais se conforma.
Mesmo se afogando na impossibilidade, não morre.