Reportagem sobre Marcela Temmer teria sido censurada

Entidades que representam jornalistas e empresas de comunicação criticaram a decisão do juiz Hilmar Castelo Branco Raposo,  que censurou reportagens produzidas pelo “Globo” e pela jornal “Folha de S. Paulo”, na última sexta-feira, sobre a troca de mensagens entre a primeira-dama, Marcela Temer, e um hacker, que tentava extorqui-la. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirmaram que consideraram a decisão “censura prévia”.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) informou, também em nota, que é contra qualquer tipo de censura e reivindicou a anulação “da absurda” decisão. “Impedir repórteres de publicar reportagens é prejudicial não apenas ao direito à informação, como também ao papel do jornalista de fiscalizar o poder público”.

A entidade lembrou a declaração da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, durante o julgamento da ação que liberou a publicação de biografias sem autorização do biografado. “Como resumiu a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, em junho de 2015, cala a boca já morreu, quem disse foi a Constituição”.

— Não houve isso, você sabe que não houve — respondeu Temer, irritado, ao ser questionado sobre o assunto.

A liminar que censurou as reportagens foi assinada pelo juiz Hilmar Castelo Branco Raposo na própria sexta-feira. A ação foi movida pelo subsecretário de assuntos jurídicos da Presidência da República, Gustavo do Vale Rocha, logo após o Planalto ter sido procurado pelo  Globo, que solicitavam uma resposta sobre o conteúdo da reportagem. Na decisão, o magistrado sustenta que “a inviolabilidade da intimidade tem resguardo legal claro” e proíbe a divulgação de qualquer conteúdo do celular de Marcela Temer

As reportagens tratam da troca de mensagens que fazem parte do processo judicial contra o hacker Silvonei de Jesus Souza, que tramita na Justiça de São Paulo, ao qual o jornal teve acesso. Silvonei foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão em outubro do ano passado por tentar chantagear Marcela Temer utilizando conteúdo roubado do celular e de contas de e-mail da primeira-dama.

Na última sexta-feira à noite, assessores do presidente Michel Temer entraram em contato com o jornal para falar sobre o tema e enviaram uma mensagem com a reprodução da decisão judicial. Quando a mensagem chegou ao jornal, a reportagem já tinha sido publicada no site. O Globo aguardou, então, a notificação oficial para retirá-la do ar, o que ocorreu nesta segunda. O jornal vai recorrer da decisão.

Fonte: O Globo.

  • Pedro

    É TEMER e não TEMMER

    • Quem era tu?

      • Cyborg

        ele é do foco, misteriosamente o povo do foco está vindo para cá.

      • Pedro

        Cheguei ao Recreio através do Tv foco. Gostei do site.

  • Bolsonete

    é …governo golpista censura na cara de paau mesmo

    • Cyborg

      verdade

  • Não deixa de ser censura.