Tarsila do Amaral: Principais obras e fases artísticas

As principais obras de Tarsila do Amaral

Dentre as muitas obras da artista, as que inauguraram as suas fases tornaram-se as mais famosas. Some-se a essas a sua pintura A Negra (1923), feita e exposta em Paris, que se juntou ao lado das obras de maior sucesso da pintora ao longo dos anos.

 

1 – A Negra: foi pintada pela artista em 1923, quando estudava arte em uma academia de Paris. Para ela, o quadro era a recordação de sua infância na fazenda, onde as negras – escravas cuidavam das crianças e eram muitas vezes suas amas-secas, como uma espécie de mãe de leite para o bebê quando as suas sinhás não o conseguiam produzir. Fala-se dessa obra que teria sido a obra que já indicava o surgimento da antropofagia na obra de Tarsila. Claramente, na pintura, estão presentes elementos do cubismo ao fundo da tela e a não necessidade de rigor em relação às formas. Em A Negra temos a representação do ambiente tipicamente tropical brasileiro com a folha de bananeira que atravessa o fundo da imagem, a figura central da foto carrega certa tristeza em seus gestos, também situação vivida pelos escravos no Brasil da época.

A Negra, 1923, Tarsila do Amaral

2 – Abopuru: foi pintada pela artista em 1928, obra que inaugura o movimento antropofágico dentro do modernismo brasileiro. Atualmente é a tela brasileira mais valorizada do mundo, alcançando o valor de 1,5 milhões pagos por um argentino. A obra encontra-se exposta no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires. Alguns críticos chegaram a sugerir que Abaporu, seria uma reescritura de O Pensador, de Auguste Rodin. A obra mostra uma figura irregular em suas formas, braços e pernas grandes com a cabeça pequena, representando a valorização do trabalho braçal comum à época, a figura sentada no chão traz à tona a relação do homem com a terra, especificamente o Brasil, diante de um cactos que desponta como uma espécie de flor, tendo ao fundo um céu azul e um sol amarelo, inevitavelmente essas cores nos remetem às cores da nação brasileira.

 Abopuru, 1928, Tarsila do Amaral


3 – Os Operários: foi pintado em 1933 por Tarsila e foi uma obra muito criticada, quando da sua exposição. No entanto é ela que inaugura a fase Social da artista. Nela estão representadas as muitas etnias brasileiras que imigraram de todos os lugares do interior do país para vir trabalhar nas indústrias de São Paulo na década de trinta, os rostos sobrepostos, que representam a massificação da vida operária, aparecem cansados no quadro – esse era o contexto de predomínio da exploração na Era Vargas. Ao fundo, como sempre, elementos do cubismo, com formas cilíndricas e retângulos, indicando as fábricas da cidade.

 Os operários, 1933, Tarsila do Amaral


As fases artísticas de Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral iniciou sua pintura, influenciada pelo conservadorismo com que o modernismo, do qual ela mesma se tornaria mestra, rompeu mais tarde. A própria artista comentou em entrevistas que os seus primeiros professores a ensinaram que não deveria usar demasiado as cores, nem fazer representações de qualquer coisa que fosse caipira como os temas populares.

 

 

 

A obra de Tarsila, no entanto, já na sua primeira fase, a Pau-Brasil, rompe completamente com qualquer tipo de conservadorismo e enche-se de formas e cores ao exemplo de tudo que a artista havia visto na sua viagem de “redescoberta do Brasil” com os seus amigos modernistas. Suas obras nesse período, que se inicia em 1924, refletem além de tudo temas tropicais brasileiros, a exaltação da fauna, flora, as máquinas, os trilhos símbolos da modernidade urbana que contrastavam com a riqueza e diversidade de todo o país.

 Fase Pau Brasil – A Feira, 1924, Tarsila do Amaral

Fase Pau Brasil – A Estação Central do Brasil, 1924, Tarsila do Amaral

 Fase Pau Brasil – Morro da Favela, 1924, Tarsila do Amaral

A segunda fase da artista, a Antropofágica, foi idealizada pelo seu marido na época, Oswald de Andrade. Nesse momento eles buscavam digerir influências estrangeiras, que eram comuns à época, para que a arte feita por eles tivesse feição mais brasileira. Tarsila pinta um quadro de presente para o Oswald chamado Abaporu, palavra indígena que significa “homem que come carne humana”, no sentido de que eles iriam “comer” as técnicas estrangeiras para digeri-las em obras que fossem precipuamente brasileiras. Essa obra da artista, em 1928, inaugura o movimento antropofágico dentro do modernismo.

 Fase Antropofagica – Antropofagia, 1929, Tarsila do Amaral

 Fase Antropofagica – Sol Poente, 1929, Tarsila do Amaral

 Fase Antropofagica – O sono, 1928, Tarsila do Amaral

 Fase Antropofagica – O Lago, 1928, Tarsila do Amaral

 Fase Antropofagica – A Lua, 1928, Tarsila do Amaral

A terceira e última grande fase na obra de Tarsila é a Social, que culmina com a sua ida para Paris, onde trabalha como operária em uma construção, após passar pela União Soviética. Em 1933, a partir do quadro Operários, a artista inaugura uma fase de criações voltadas para os temas sociais da época, a situação dos trabalhadores etc. Mais tarde, a pintora irá retomar temas de fases passadas, além de inserir novos elementos e temas como o religioso.

Fase Social – Os Operários, 1933, Tarsila do Amaral

Fase Social – Segunda Classe, 1933, Tarsila do Amaral

Fase Social – Crianças Orfanato, 1935, Tarsila do Amaral

Fase Social – Garimpeiros, 1938, Tarsila do Amaral

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