A morte de Fidel e a hipocrisia da mídia

Fidel Castro
Fidel Castro

Morreu na última sexta-feira (25) em Cuba o ditador e ex-líder da Revolução Cubana Fidel Castro. Tendo passado o “trono” para o irmão em 2008, Fidel teve seu estado de saúde agravado nos últimos dias, o que culminou com a sua morte.

A morte de Fidel, como não poderia deixar de ser, gerou grande repercussão na mídia. A maneira como a sua figura foi representada, no entanto, foi falha. O ditador foi apresentado apenas como um “presidente” polêmico, que dividia opiniões.

Nós sabemos que ele era mais que isso. Além de ter impedido o avanço democrático de Cuba, que já vinha de um governo autoritário, Fidel matou e condenou milhares de opositores, além de outras barbaridades.

Homossexuais, por exemplo, sofreram bastante nas mãos do regime de Fidel. E não foram fuzilados apenas por “estarem” entre os opositores do regime, e sim pelo simples fato de serem homossexuais. Eram colocados em campos de concentração como uma “ameaça” ideológica para “la revolución”.

O estranho é ver pessoas que atualmente apenas dizem “não concordar” com a prática homossexual sendo bombardeadas e tratadas como monstros humanos pelos mesmos que lamentam a morte do cruel ditador que fuzilou gays.

A mídia também peca ao resistir em rotular Fidel como “ditador”. Quando Pinochet morreu, por exemplo, ninguém hesitava em rotulá-lo como chefe de uma ditadura. Com Fidel não acontece, mesmo que após críticas a mídia tenha apresentado leves mudanças. O “Jornal Hoje”, por exemplo, já o chama pelo que ele foi de fato.

Nossos políticos, que vivem bradando aos quatro cantos anseio por liberdade e democracia, lamentaram a morte daquele que por muito tempo a sufocou, e ainda a sufoca através da herança de seu regime cruel que ainda vigora em Cuba.

A piada do dia

Muitos políticos como Aécio Neves, Marina Silva, Michel Temer entre outros decepcionaram seus seguidores ao lamentarem a morte de um ditador cruel e o transformarem em um “grande homem”. Eles, no entanto, deixaram claro que o regime imposto por Fidel, mesmo que tenha “trazido igualdade” (?) ao povo cubano, impediu o avanço democrático.

Dilma foi além… além de endeusar o ditador, deixou claro no fim de sua postagem no Twitter que Fiel “Lutava pelas liberdades democráticas”. Bem, até que não parece piada, visto que o que a própria disse que lutava pela democracia tentando implantar uma ditadura.

E o prêmio vai para…

Donald Trump. O presidente eleito dos Estados Unidos pode ser tudo, mas não tem medo de falar o que pensa. E em meio a muitas de suas declarações (algumas desnecessárias, admitamos), verdades não deixam de vir à tona. Até agora, foi dele a declaração mais sensata sobre Fidel: “um ditador brutal que vem oprimindo seu povo por quase seis décadas”.

Trump também prometeu que lutará, em sua administração, para ver uma Cuba livre novamente.

O Brasil chora

Fugindo um pouco do assunto, gostaria de deixar registrado aqui meu luto para com os jogadores, jornalistas e demais profissionais que faleceram na tragédia rumo à Colômbia. Que Deus possa confortar a todos os familiares, amigos, torcedores e admiradores da Chapecoense.

Douglas Nascimento

Estudante, escreve sobre política semanalmente para o Recreio através do Sociedade em Foco. Siga-me no Twitter: dnascimentow