Retratos sobre a mesa – Luís Carlos Arutin

Memórias da TV

A grande maioria dos nossos leitores não vão reconhecer de imediato a seguinte frase: “Nós não somos turco, nós somos libanês”. Mas lá no final do post, tudo ficará mais claro. A partir de hoje, estaremos estreando uma seção nova aqui no Memórias… Retratos Sobre a Mesa irá relembrar pessoas que de uma maneira ou de outra ajudaram e ainda ajudam a fazer história na TV.

Uma certa dúvida em escolher qual seria o primeiro nome para inaugurar esta nova seção… Dercy Gonçalves?, Raul Cortez?, José Wilker?, Hebe Camargo?… Porém, também é preciso lembrar que tem muitos excelentes profissionais que faleceram quase no anonimato, com pouco destaque na mídia.

O primeiro homenageado neste espaço é o ator Luís Carlos Arutin, nascido em Barretos no dia 19 de janeiro de 1933, filho de pai sírio e mãe italiana. Na sua juventude, se mudou para a Capital paulista e cursou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo e acabou se consolidou no Teatro, inclusive ganhando o prêmio Moliere e o Prêmio de Melhor Ator da Associação Paulista dos Críticos de Arte pela atuação na peça Os Inocentes no ano de 1979.

Na Televisão, estreou na novela global Meu Pedacinho de Chão em 1971, iniciando uma longa parceria de Arutin com o autor Benedito Ruy Barbosa. No ano seguinte, trabalharia na novela Vitória Bonelli, na TV Tupi.

Porém, a estabilidade de Luís Carlos na Televisão veio apenas com a novela os Imigrantes de 1981, na pele do libanês Yussef, marcando de vez a parceria com o Benedito e também um de seus primeiros papeis interpretando imigrantes. Depois de trabalhar na novela O Campeão, em 1982, nosso homenageado se transferiria para a Rede Globo, no qual faria uma sequência importante de novelas.

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Destaque para o técnico de futebol Bepe, da novela Vereda Tropical, de 1984, o aposentado e boa vida Oscar, de A Gata Comeu, em 1985 e também para o jornalista Augusto, da primeira versão da novela Sinhá Moça, no ano seguinte (este último marcando mais uma etapa na parceria Arutin e Benedito Ruy Barbosa).

Luís Carlos teve uma rápida passagem pela Manchete, onde trabalharia nas novelas Carmen e Corpo Santo (ambas de 1987) e logo voltaria novamente para a Rede Globo, em mais uma parceria com Benedito Ruy Barbosa em Vida Nova, de 1988.

Mas na opinião deste colunista, dois de seus melhores trabalhos ainda viriam na sequência. O policial aposentado metido a investigador Silas, num papel hilariante em Top Model, numa ótima parceria com Eva Todor (que em breve estará aqui neste espaço); e também o libanês Rachid (que odiava que o chamassem de turco e acabava soltando a fala descrita no começo do Post) da novela Renascer, de 1993.

O personagem Rachid, na trama de Renascer, era para ser apenas um personagem secundário. Mas quando um ator interpreta seu personagem de forma muito convincente e carismática, inevitavelmente o papel acaba ganhando um destaque bem maior, e foi isso que aconteceu com o turco (digo, Libanês) ao longo da novela. Abaixo uma nota com uma pequena descrição da personagem.

Na trama rural de Benedito Ruy Barbosa, Rachid era um mascate, uma espécie de vendedor ambulante que era muito comum no nordeste até meados do século passado, acabou sofrendo um assalto e presenciou o futuro Coronel José Inocêncio (Leonardo Vieira/Antônio Fagundes) ter sua pele arrancada pelos mesmos assaltantes. O libanês por sua vez costurou a pele do jovem Inocêncio e esse fato ficou marcado para sempre na vida do fazendeiro.

Depois de Renascer e da minissérie Memorial de Maria Moura, Arutin acabou saindo da Globo justamente para o SBT, onde viveu o personagem João Semana na novela As Pupilas do Senhor Reitor. Logo após, através da produtora independente TV Plus (que produziu novelas para a Manchete e Band em meados da década de 1990, com alguns ex-globais no elenco), nosso homenageado apareceu na tela da Band, na pele do artesão André, em a Idade da Loba.

Para 1996, Benedito Ruy Barbosa queria repetir a parceria com Luís Carlos e estava criando um personagem para ele na novela O Rei do Gado, mas as circunstâncias da vida nem sempre colaboram para que todos os projetos sejam realizados.

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No dia 08 de janeiro de 1996, logo no começo do ano, houve um incêndio no apartamento em que Arutin e sua família residiam em Jacarepaguá. Tudo começou no quarto do filho mais novo do ator, no qual era baterista, e tinha colocado paredes de isopor e carpetes para fazer o isolamento acústico, materiais que pegam fogo com facilidade. Bastou uma vela acesa para o incêndio ter início. O pai do baterista, por sua vez, tentou salvar objetos no quarto do filho e acabou se asfixiando com a grande quantidade de fumaça que tinha no local. Luís Carlos Arutin foi socorrido, mas não resistiu a intoxicação.

O ator se foi há 20 anos, mas a obra e os bons momentos dele permanecem guardados na memória de quem viu, quem presenciou. Nossa tarefa principal aqui no Memórias da TV é justamente fazer com que nomes que fizeram história na Televisão sejam sempre recordados.

Logo abaixo, uma cena de Renascer, onde Arutin (Rachid) contracena com Luciana Braga (Sandra) e a sempre bela Patrícia Pillar (Eliana), só um pequeno trecho do trabalho do nosso inesquecível homenageado (retirado do canal “O Melhor das Novelas”). Até a nossa próxima coluna!

Continuem acompanhando e se informando aqui no Recreio, que acabou de completar o primeiro ano de vários, com toda a certeza! Obrigado especialmente a vocês leitores fieis que sempre acompanham nossos posts!!

  • Locutor

    Uma boa proposta desta coluna e do Recreio – homenagear grandes atores e seus papéis memoráveis. Recomendem esse post, pois é de uma importância enorme da nossa história da TV brasileira.

  • Uma ótima ideia homenagear grandes atores da nossa Tv Brasileira. Não conhecia o Arutin. Ótimo post, Tempestade!!

  • Não conhecia o Arutin. Parabéns Tempestade, excelente post!!!