Retrato da Morte – Final “A verdade mostra sua face”

Todos atenderam ao convite de Bob Rezende e se reuniram na Fazenda de Felipe M. Cavalcanti para uma reunião, mas não sabiam que ficariam frente a frente. Para alguns recordar o passado foi um tanto doloroso, outros uma fagulha de vida em meio às cinzas, enquanto outros ansiavam  que a verdade fosse oposta a realidade  e um alívio.

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Felipe (Feh) recebe a todos com simpatia  e simplicidade.

Tarsila Rosa Amaral chegou acompanhada da família Malfatti que viera buscá-la de volta para a Itália. Davi, Léa e Angelina que agora compreendia que Tarsila sempre fora como sua irmã de verdade, aumentando o afeto e amizade entre ambas.

Em seguida Camille Portinari chega sorridente  abraçando Felipe e sua sobrinha Tarsila Rosa.

A chegar Raspútia se emociona ao ver Camille e Tarsila Rosa tão crescidas.

Mateus M. Cavalcanti ao chegar, faz um cumprimento seco. Como sempre, soberbo olhando os demais com desdém, mal humorado querendo saber o propósito de tal encontro ficando surpreso em rever outros envolvidos no fatídico dia.

A última a chegar foi Danny Bond acompanhada do marido Léo Martinez. Recebendo olhares fulminantes em sua direção e retribuindo com sorrisos sarcásticos.

No ar pairava um ar diferente, como se alguém, do plano superior estivesse presente.

 

Com poucas palavras Bob Resende esclareceu a todos e expos os motivos da sua investigação e a presente reunião. Daí em diante relataria suas descoberta e uma possível solução para o caso.

Tarsila Rosa Amaral  ouvia vagamente as palavras de Bob Rezende, sua mente estava a mil por hora…. Alguma destas pessoas seria capaz de cometer um crime?

Bob Resende continuava divagando: — Era essa a minha tarefa recuar no tempo para descobrir o que realmente tinha acontecido.

 

Todos sabemos o que aconteceu…, o senhor está extorquindo e iludindo a filha de Pablo com falsas esperanças.

Sem se deixar abater Bob Resende continuou firme: – À primeira vista, por exemplo, Mateus M. Cavalcanti odiava Vitória Amaral, mas era exatamente o contrário. Tanto que na noite anterior ao crime se declarou pra ela e foi rejeitado, apesar de tudo era fiel ao marido não conseguiria pagar na mesma moeda.

Como sabe?…Sim é verdade, eu amava Vitória, mas Pablo a roubou de mim, fiz de tudo para esquecê-la. Mas quando ia ser abandonada fiquei com pena, pensei que teria uma chance, por isso me declarei e fiz uma proposta, ela até pensou em aceitar, mas na hora desistiu porque amava o marido.

Dou outro lado, Felipe(Feh) demonstrava uma devoção muito grande a até aparente para com Vitória. Estava irritado com Pablo não pelo seu comportamento com Vitória, mas sim porque também se apaixonou por Danny Bond, tanto é que a pediu em casamento após o julgamento.

Felipe ia reclamar qualquer coisa mais desistiu e Danny sorriu dando uma piscadinha…

Após falar com as autoridades envolvidas no caso e com vocês, averiguei que: -Em momento algum Vitória Amaral protestou sua inocência, a não ser na carta enviada a filha. No tribunal adotou uma atitude conformada e derrotista durante todo o processo. Escreveu uma carta a irmã demonstrando estar conformada após o veredito. Na prisão tinha um comportamento tranquilo e sereno, nunca quis receber visitas. Foi dada como morta em um incêndio.

O mais interessante é que na opinião de todos com quem falei, Vitória era culpada com exceção de uma pessoa.

Meu papel não era aceitar o veredito das pessoas e sim examinar pessoalmente as provas e depoimentos dos envolvidos.

Os relatos que me enviaram foram muito importantes para o desfecho do caso, já que continham uma visão e detalhes mais pessoais que para a polícia não teria importância, tais como incidentes caseiros, a opinião das pessoas a respeito de Vitória e fatos deliberadamente omitidos a polícia.

Ao que tudo indica não existem as menores dúvidas de que Vitória cometera mesmo o crime, ela tinha o motivo, a oportunidade e acima de tudo sua própria confissão de estar em posse do frasco de veneno que continha suas próprias impressões digitais.

Amava o marido, este tinha publicamente admitido que iria   trocá-la por outra mulher e, segundo ela própria admitiu, era uma mulher ciumenta.

No dia anterior a morte durante o jantar aconteceu uma terrível discussão na presença de todos vocês, onde ela ameaçou o marido de morte e retirou-se.

Na manhã do crime, tiveram outro atrito e alguns de vocês conseguiram lembrar-se de frases importantes, mesmo que não saibam.  Um dos motivos da discussão era que Camille seria trocada de escola e estava furiosa.

Mateus ouviu-a dizer: “Você e tuas mulheres, um dia destes, te mato!”

Danny Bond do jardim escutou Pablo pedir que a mulher fosse razoável. Que gostaria que as coisas terminassem bem.

Meia hora depois a discussão ela leva um copo de suco ao marido que reclama estar tudo com gosto ruim naquele dia. Muito estranho que após a briga anterior, viessem a discutir assuntos domésticos, depois parece uma esposa habitual levando-lhe sucos e almoçando tranquilamente como se nada tivesse acontecido…

Mas existe um fato que até o momento ninguém tinha conhecimento. Dona Raspútia omitiu um detalhe no tribunal.

Queira dizer a todos Senhora Raspútia!

 

Tudo numa boa! Quando ia chamar o Dr. Lord Vader encontrei Felipe (Feh) no caminho e dei lhe a incumbência. Quando voltei, vi claramente Vitória pressionando as mãos do senhor Pablo em volta do copo de suco.

Olhares de decepção e gritos de alívio ecoam no recinto. – Então é a prova cabal que Vitória foi a assassina de fato! Grita Mateus.

Pelo contrário, foi aí que tive certeza que Vitória Amaral era inocente.

 

Interjeições de alegria e espanto  foram ouvidas.

Simples, ela tentou simular um suicídio colocando as impressões digitais do marido no copo de suco. Mas o veneno estava na xícara de café. Se ela matou o marido, como ia colocar as impressões do marido no copo de suco sabendo que o veneno estava no café? Simplesmente para encobrir alguém… Quem seria esta pessoa?

 

– Seu detetive estúpido, sei bem que está me acusando de ter matado meu cunhado e minha irmã sabia!

Vitória Amaral  carregou, durante muitos anos a culpa por ter desfigurado para toda a vida o rosto da irmã, em  ataque descontrolado de raiva adolescente. Agora, finalmente, tem a oportunidade de pagar por aquilo que fez. Por isso não lutou, não se defendeu, estava tranquila e em paz com sua consciência. Na carta dirigida à filha disse que era inocente, e na carta dirigida à irmã que esta ficasse tranquila e refizesse sua vida. Que estava bem e conformada.

Camille segundo os relatos sempre aprontava com Pablo, colocando laxantes, sal em suas bebidas e pó de mico em suas roupas. Ao levar o suco ao marido, Vitória percebe Camille se escondendo furtivamente nas proximidades, mas pensou ser mais uma de suas brincadeiras já que estava furiosa com Pablo e tinha prometido vingança. Ela não suportaria ver sua irmã sendo culpada por um crime.

Lentamente, Camille voltou-se. O seu olhar, duro e desdenhoso, percorreu os rostos que a olhavam. — Idiotas cegos… é o que são, todos vocês. Não veem que, se tivesse sido eu, teria confessado! Nunca teria deixado a Vitória sofrer por uma coisa que eu tivesse feito. Nunca! Eu pretendia por um laxante no café, vi Vitória se aproximando e fugi. Imagino que todos pensam também que fui eu. Mas eu não matei Pablo, nem com minhas brincadeiras maldosas e nem de outra forma. Jamais teria deixado minha irmã assumir a culpa.

— Eu sei minha querida que você não cometeu o crime, mas Vitória pensava que sim. No entanto sei exatamente quem matou Pablo van Gogh Amaral.

A situação é bem simples, um homem mulherengo e egoísta envolvido com duas mulheres ciumentas. Diz que ia abandonar a esposa mas eu sugiro lhes que nunca pensou seriamente nesta possibilidade. Mas Danny Bond sim esperava, era uma mulher determinada disposta a conseguir sempre o que queria.

Quando Danny Bond contou a todos a relação dos dois no jantar diante da mulher e de todos, ele não tinha dúvidas quem escolheria.  Naquela mesma noite havia se reconciliado com Vitória, mas tinha o quadro para terminar. Além disso, estava se divertindo com a situação, para ele era um estimulo a sua arte ver duas mulheres brigando por ele.

Quando terminasse o quadro tudo voltaria ser como antes, Vitória era a única a quem realmente amava, depois de sua arte. Por isso a estranha frase de Vitória na manhã do crime: “Você e tuas mulheres” colocava Danny Bond no mesmo patamar das outras, ou seja, casos passageiros.

O que ele não sabia era que Danny Bond  tinha ouvido toda a conversa.    E o relato que ela mais tarde fez dessa conversa não foi o verdadeiro.

Ela tinha visto Vitória roubar o veneno na Fazenda de Felipe e colocado na bolsa, pegou o veneno colocou na xícara de café que Pablo tomava em um momento de distração deste. Reparem que ao tomar o suco diz que Tudo tinha gosto ruim aquele dia, ou seja, algo que tomara antes teve um gosto ruim. Danny volta ao seu posto e continua sendo pintada tranquilamente, o quadro está quase pronto.

 

Felipe aparece e percebe que Pablo está um tanto estranho com algum mal estar, mas este nunca demonstra suas fraquezas físicas, assim leva Danny Bond para almoçar deixando o artista sozinho com sua obra. Mais tarde ela esconde o frasco nos pertences de Vitória.

As opiniões sobre os dotes artísticos de Pablo van Gogh me chamaram a atenção, segundo alguns era um excelente pintor capaz de passar sentimentos através da sua arte. No entanto alguns acharam sua última obra horrenda e um péssimo artista. Fiz questão de ver suas pinturas e trouxe aqui seu último quadro. Eu devia ter compreendido, quando vi esse quadro pela primeira vez.

               

Porque é um quadro admirável. É o quadro de uma assassina, pintado pela sua vítima… É o quadro de uma mulher apaixonada e vingativa assistindo à morte do seu amante… O Retrato da Morte!

Desfechos

 

Após a exumação e exame de DNA ficou comprovado que Vitória Amaral realmente morrera no incêndio na prisão. Mas sua alma estava em paz ao lado de Pablo, eram almas gêmeas, um completava o outro.

 

Danny Bond conseguiu se livrar da prisão, contratou os melhores advogados do país e conseguiu se livrar da acusação negando até o final. A justiça nem sempre prevalece, mas sua imagem ficou ainda mais arranhada na sociedade.

 

Tarsila Rosa Amaral escreveu o livro Retrato da Morte, relatando toda história do caso Amaral e limpando a memória de sua mãe. O livro se tornou um Best-seller.  A verdade deveria ser conhecida de alguma forma.

Fim

 

Agradecimentos

Obrigada a todos que acompanharam, leram ou comentaram a série, a Equipe Recreio pelo apoio, espero que tenham gostado! Esta série foi baseada no livro “Five Little Pigs” (Os cinco porquinhos) de Agatha Christie publicado pela primeira vez em 1942. Apesar da série (não é totalmente spoiler), recomendo a leitura do livro, é surpreendente, prende  a atenção do início ao fim.

Confiram as atrações do Recreio!

Dia 01/02 Estreia  Santos

2ª Temporada de Relações Duvidosas

Autor: Jack