Segredos da Ilha 9º Episódio – Salve-se quem puder!

O Juiz João Luiz  retomou a palavra e foi implacável nas perguntas e observações: — Meu ponto de vista é que não pode haver exceções baseadas em caráter, posição ou probabilidade. O que devemos examinar agora é a possibilidade de eliminar uma ou mais pessoas em vista dos fatos.

 

Quem poderia ter colocado veneno no copo de Santos?

 

A mulher, o marido ficou parte do tempo com ela, assim como o pastor Jack. Dr. Matt deu um calmante pra ela, poderia ter dado uma dose excessiva ou algo mais. Mas poderiam ter dado algo antes, causando aquele desmaio.

Qual deles teve a chance de matar o delegado Lucas RS

Sem ser notado?

Houve muitas cogitações, protestos, revoltas e assim expuseram suas suspeitas uns aos outros.

Angel e Danilo estavam cada vez mais próximos e dividiam suas suspeitas, Danilo suspeitava do Juiz. Angel suspeitava do Dr. Matt Brandon.

Douglas Gordon suspeitava de Danilo Marroni, Dr. Matt e Pastor Jack.

O Juiz aparentemente suspeitava de Angel e Douglas Gordon.

Pastor Jack ao que indicava, suspeitava de Talles.

 

Todos fizeram sua defesa e mostraram seus respectivos álibis, porém nada totalmente confiável ou provado, a dúvida permanecia. Decidiram que estariam mais atentos pois o desespero já tomava conta de alguns.

Após um jantar simples com poucos diálogos, foram descansar, óbvio que nem todos conseguiram. Chovia forte com raios e trovoadas.

 

Na calada da noite Talles entra na sala de jantar e se aproxima dos instigantes caboclinhos de pedra e resmunga: – Vamos brincar?

Ao amanhecer ainda chovia.  Danilo aparentemente foi o primeiro acordar inquieto, logo foi procurar Douglas Gordon.

– Bom Dia! Se é que pode se dizer diante das circunstâncias. Estou há tempos acordado e não vi Talles, ele sempre acorda cedo e prepara o café da manhã, notei que faltam as duas latas de Nescau que estavam na cozinha ontem a noite. (ideia do Vander, rsrs)

Também sentem a falta do pastor Jack Cebolli, aos poucos, todos vão ficando preocupados com a situação.

-Talles deve ter se sentido ameaçado e fugiu levando as latas de Nescau.

Estavam prontos para sair em busca dos desaparecidos quando o pastor Jack chega calmamente com uma capa de chuva: – Fui fazer uma caminhada, é muito bom para a saúde. Diz tranquilamente.

O senhor viu o Talles por aí? E não sente medo de andar por aí sozinho diante de tudo que tem acontecido?

– Não o vi, também não tenho medo porque além de sentir a proteção divina, melhor só do que mal acompanhado.

Angel chega da cozinha dizendo que sumiu mais um caboclinho da bandeja.

Todos saem à procura de Talles, em seu quarto não estava,  até que o encontram próximo a lavanderia onde estava morto com uma machada na cabeça. Houve consternação e histeria.

 

 

— Isso teria exigido grande força, doutor? — perguntou João Luiz.

Matt respondeu gravemente: — Uma mulher poderia ter dado o golpe, se é a isso que se refere. Olhando para Angel.

Angel se descontrola e começa recitar o poema dos caboclinhos sem parar, perguntando: — Criam abelhas nesta ilha? Digam-me isso. Onde vamos encontrar uma colméia para brincar? kkkkkkk

Os outros olhavam sem compreender. Era como se aquela criatura bem equilibrada tivesse endoidecido diante deles.

 

Sete caboclinhos vão rachar lenha… kkkkkkk… Seis caboclinhos de uma colmeia fazem brinco…kkkkkk  É por isso que estou perguntando: criam abelhas nesta ilha? Não é engraçado?

Até que Matt dá uma tapa no rosto de Angel para que se controle de novo.

Pastor Jack diz que está morrendo de fome, avisa vai pilotar o fogão e que o café da manhã estaria pronto em meia hora deixado todos chocados com tamanha frieza. Angel foi ajudá-lo.

Na cozinha Angel dá sinais de descontrole emocional enquanto pastor Jack a observa.

Lá fora Douglas Gordon falava de suas suspeitas em relação a Angel e ao pastor. Danilo sempre defendia Angel, achava improvável que uma criatura tão frágil fosse capaz de algo tão macabro.

Curiosa refeição foi o café. Todos se mostravam muito reservados. Seis pessoas. Exteriormente, todas normais e senhoras de si. Por dentro? Pensamentos que corriam sem parar…

“Que virá depois? Quem será o próximo?”

“Quem? Qual?”

“Será que dá certo? Será mesmo? Vale a pena experimentar. Se houver tempo… Meu Deus, se houver tempo…”

“Mania religiosa, é o que é… Olhando para ele, contudo, a gente mal pode acreditar… Estarei enganado?…”

“Isso é doido… tudo é doido. Estou perdendo o juízo…”

“O grandíssimo tolo… Acreditou em todas as mentiras que eu lhe disse. Foi fácil. Mas devo ter cuidado, muito cuidado.”

“Seis figurinhas de porcelana… só seis… Quantas haverá esta noite?…”

Seis pessoas, portando-se normalmente à mesa do café…

Terminara a refeição. Pastor Jack levantou-se e tornou a sentar, dizendo: — Ora esta!

— Alguma coisa, Pastor Jack? — perguntou o juiz.

— Desculpem-me — respondeu ele. — Mas não sei o que se passa comigo. Estou um pouco tonto.

— Tonto, hem? — O Dr. Matt caminhou para ele. — Choque retardado. Eu lhe posso dar alguma coisa para…

— Não! Exclamou o pastor com visível terror.

— Como quiser pastor Jack — disse o médico, envergonhado e nervoso ao mesmo tempo.

— Vou descansar aqui mesmo um pouco, foi só um mal estar passageiro, não dormi bem à noite, pode ser sono.

A sós, tontura estava passando. Sentia-se sonolento agora, como se facilmente pudesse cair no sono.

Havia alguém na sala… alguém encharcado e a pingar…

Mas não podia virar a cabeça… Se ele gritasse…

Mas não podia gritar…

Não havia ninguém mais na casa. Estava sozinho…

De repente sentiu uma picada em seu pescoço, o ferrão da abelha do lado do pescoço…

Enquanto isso, lá fora, era quase um consenso que o misterioso Olaf era o pastor Jack pelo caráter frio diante dos acontecimentos. Mas quando finalmente foram confrontá-lo ele estava morto com uma abelha de brinquedo no ombro, deixando todos atônitos.

— Mais um de nós que é absolvido… demasiado tarde! — disse João Luiz.

A atenção de Dr. Matt fixara-se numa marca do lado direito do pescoço. — É a marca de uma seringa hipodérmica — disse ele.

O juiz contrapôs calmamente: — Creio que ainda guardamos a capacidade de raciocinar. Alguém trouxe uma seringa hipodérmica para esta casa?

O Dr. Matt endireitou o corpo e respondeu numa voz não muito segura: — Sim, eu trouxe.

Após novas discussões decidiram que  Dr. Matt entregaria todos seus remédios e Danilo Marroni sua arma.Mas o revolver desapareceu. A casa foi minuciosamente revistada do sótão ate as adegas, mas em pura perda de tempo. O revólver continuava desaparecido.

Um de nós… um de nós… um de nós…

Três palavras, infindavelmente repetidas, ressoando hora após hora nos cérebros excitados.

“É Dr. Matt… Naquela hora vi você olhando para mim… seus olhos são de louco…

Talvez nem seja médico, afinal de contas…

“A mim é que eles não apanham! Sei cuidar de mim mesmo… Já estive em lugares perigosos… Onde diabo está esse revólver?… Quem o tirou?… Quem está com ele?…

“Eles estão ficando doidos… todos vão ficar doidos… Com medo da morte… todos têm medo da morte… eu mesmo tenho medo da morte…

“A moça… vou vigiá-la. Sim, vou vigiar essa moça…”

“Minha cabeça… alguma coisa está acontecendo à minha cabeça… vai estourar…”

“Devo manter a presença de espírito… devo manter a presença de espírito… contanto que mantenha a presença de espírito… – Tudo está perfeitamente claro… tudo previsto. Mas ninguém deve suspeitar.

Angel foi dormir, mas ao entrar em seu quarto algo a surpreende e grita desesperada.  Logo os outros vêm ao seu socorro.

Do teto pendia uma larga fita de alga molhada. — Era uma alga!… Uma alga, apenas… Tentam acalmá-la e se dão conta que falta alguém entre eles.

— Onde está o juiz? Os três homens entreolharam-se.

— Esquisito… Pensei que ele tivesse subido conosco. Isto é muito estranho…  — Devemos procurá-lo! — gritou Douglas Gordon.

Chegando à porta do salão, Dr. Matt parou petrificado. Os outros se amontoaram a olhar por cima dos seus ombros. Alguém soltou um grito.

O Juiz João Luiz estava sentado na sua poltrona de espaldar alto, ao fundo da peça. Duas velas ardiam a cada lado. Mas o que chocou e espavoriu os espectadores foi a circunstância de estar ele vestido com uma beca vermelha e uma peruca de juiz na cabeça…

O Dr. Matt levantou a mão inerte e procurou o pulso, depois virou-se para os outros. Sua voz soou inexpressiva, morta, distante: — Foi baleado…

— Meu Deus… o revólver! — exclamou Douglas.

Ainda na mesma voz sem vida, o médico articulou: — Atravessou-lhe a cabeça. Instantâneo. Angel abaixou-se para examinar a peruca.

— Cinco caboclinhos no foro, a tomar os ares; um ali foi julgado, e então ficam dois pares. — Ainda esta manhã você disse que o assassino era ele! — exclamou Angel.

O rosto de Danilo mudou de expressão — aquietou-se.

— Sim, eu sei… Pois bem, estava enganado. Aí está mais um de nós cuja inocência ficou provada… tarde demais!

Tinham levado o Juiz João Luiz para o seu quarto, deitando-o na cama. Dr. Matt encarou-o e disse quase maquinalmente: — Devemos ter muito cuidado… De súbito, calou-se.

Douglas sacudiu afirmativamente a cabeça. — Era o que ele dizia… e agora está morto! — Eu gostaria de saber onde está aquele revólver agora…

Assim todos foram para os seus quartos.

Em seu quarto Douglas estava sentado na beira da cama. A ameaça estava muito próxima agora… Seis dentre dez!Pensava…

Que tinha dito a velha raposa?

“Devemos ter muito cuidado…”

Velho enfatuado e hipócrita!

E agora restavam quatro. A moça, Danilo, Matt e ele.

 

De repente se lembra do pobre Teteu, o rapaz inocente que ele tinha incriminado. Forjou provas e Matheus Dias foi preso e não aguentado a pressão enforcou-se. Douglas por sua vez tinha recebido uma boa quantidade de dinheiro e foi promovido.

Relembrando os últimos acontecimentos não consegue dormir, de repente ouve passos no corredor… Começa suar frio.

Os passos se afastam e sem pensar vai atrás para saber quem é…

Foi quando viu um vulto saindo pela porta dos fundos. Agora seria fácil, era só ver qual quarto estava vazio.

Ao verificar notou que somente o quarto do Dr. Matt estava vazio, assim chamou Danilo e foram à procura de Dr. Matt. Porém ele tinha sumido.

— Angel, vamos sair em busca de Dr. Matt. Ele não está no quarto. Aconteça o que acontecer, não abra a porta! Entendeu?

— Mas ele está com o revolver! Disse Douglas.

Danilo riu mostrando algo: — O revólver está comigo! — Tirou-o em parte do bolso enquanto falava.

— Mas você, este tempo todo!

— Não seja idiota Douglas!. Não vou atirar em você! Volte e fique no seu quarto, se quiser! Eu vou em busca de do louco do Matt.

Angel ouve o ruído de uma vidraça quebrada e se encolhe nas cobertas.

Ao voltarem da busca anunciam:  — Dr. Matt desapareceu… — Há outro pequeno detalhe, ainda. Quebraram um vidro da porta da sala de jantar… e só há três caboclinhos em cima da mesa.

Ao amanhecer, tomaram café e saíram da casa, finalmente o sol voltava a brilhar.   Tentaram pedir ajuda com sinalizadores, o dia foi passando e decidiram que os três ficariam juntos o tempo todo.

Danilo e Douglas discutiam desconfiando um do outro. Até que Angel interrompe e diz que Matt pode ter forjado a própria morte como no poema.

— Sim, tem razão — disse Douglas. E, depois de refletir um instante, acrescentou: — Mas, pelo menos, não há jardim zoológico na ilha. Ele terá um pouco de trabalho para arranjar isso.

— Então você não enxerga? — exclamou Angel. — Nós somos o Zôo… Ontem à noite, não nos portávamos mais como seres humanos. Nós somos o Zôo…

A hora passou e a fome chegou, mas estavam com receio de voltar a casa. Foi quando Douglas decidiu ir sozinho.

De repente Danilo e Angel ouvem um barulho e um grito muito forte, mesmo com medo saem para ver o que houve.

Ao chegar Douglas estava com a cabeça esmagada por um objeto de mármore que caíra da janela acima. A janela era do quarto de Angel. O mais curioso é que o objeto era um urso de mármore.

Danilo ameaça entrar na casa, mas é impedido por Angel. Danilo segurou-lhe o ombro e, numa voz melosa e diz: — Agora temos a solução. Matt está escondido em alguma parte da casa. Vou agarrá-lo e depois vamos sair da Ilha juntos.

Assim voltam para praia… Após um tempo avistam algo sendo trazido pelas ondas e ficando preso nas pedras. Ao se aproximarem  percebem que é o corpo do Dr. Matt que havia se afogado.

Lenta, muito lentamente, Angel e Danilo ergueram a cabeça e olharam- se nos olhos…

Danilo riu: — Então é isso Angel?

Angel respondeu: — Não há ninguém nesta ilha… absolutamente ninguém… Exceto nós dois…

— Precisamente — disse Danilo. — Agora sabemos onde estamos não é verdade?

Sem que Danilo  percebesse, Angel rouba o revolver e aponta pra ele.

– Angel o que vai fazer não faz isso, me dá este revolver!

Angel dispara o Revolver em Danilo sem dó, foram vários tiros…

Danilo Marroni estava morto — com o coração varado… Um sentimento de alívio apossou-se de Angel, finalmente, estava acabado.

Estava sozinha na ilha… Sozinha com nove cadáveres… Mas que importava isso? Ela estava viva…

Percebeu, agora, que estava com fome e com sono. Um caboclinho a sós — apenas um…

Angel pensou: “Em circunstâncias ordinárias, ninguém dormiria numa casa com um cadáver em quase todos os quartos!”. Ia à cozinha arranjar alguma coisa para comer.

Deteve-se à porta da sala de jantar. Ainda havia três figurinhas de pedra no centro da mesa.

 

Angel riu, dizendo: — Vocês estão atrasados, meus queridos. Apanhou dois deles e jogou-os pela janela.  Guardou na mão a terceira e última figurinha. — Você vem comigo. Nós vencemos, meu querido! Vencemos!

 

Engraçado que de repente lhe viesse de novo aquela impressão de que Guilherme estava na casa…

— Não sejas tola — disse Angel a si mesma.  Não percebeu que deixara cair o revólver. Como a casa estava silenciosa! E contudo… não parecia uma casa vazia… Guilherme estava  ali em cima, à espera dela…

 

Lembrara agora de Magnus, o lindo garotinho que ela matara por ambição, queria se casar com Guilherme, mas com ele rico, e agora estava só, os pais de Magnus acreditaram que ela realmente tentou salvar o garotinho, mas com certeza Guilherme desconfiava da verdade, por isso sumiu…

Um Caboclinho aqui, está a sós, apenas um. Como era mesmo o último verso? Falava de casar-se… ou seria outra coisa?

Abriu a porta… Que era aquilo, pendurado no teto? Uma corda presa ao um gancho com a laçada pronta? E uma cadeira para subir em cima… uma cadeira que podia ser derrubada com um pontapé… Era aquilo o que Guilherme queria…

Ao subir na cadeira, colocou a corda no pescoço e sentiu que alguém se aproximava…Com olhar de espanto vê a face do misterioso Olaf: Não pode ser, você?

 

O misterioso Olaf dá uma risada diabólica chutando a cadeira… O caboclinho cai mãos  de Angel….

Amanhã, não percam!

A identidade de Olaf será revelada.

Obrigada a todos! 🌹